
Um acordo diplomático definitivo entre os governos dos Estados Unidos (EUA) e do Irã está cada vez mais próximo. O primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, afirmou que as duas potências estão chegando num acordo nos termos gerais do tratado de paz e sinalizou que haverá logo uma assinatura eletrônica, num prazo de 24 horas. Porém, Irã se manifesta e tem postura comedida e afirmou que não haverá assinatura neste domingo (14).
O movimento dos canais diplomáticos ganhou força após dias intensos da atividade militar no Golfo Pérsico. Um dos principais mediadores da crise regional, o primeiro-ministro paquistanês, publicou em seu perfil oficial na rede social X que EUA e Irã “estão mais perto de um acordo de paz do que nunca”.

Sharif declarou ser grato ao governo americano e à República Islâmica do Irã por terem se engajado nas conversas de negociação. Ele indicou ainda que após a validação do memorando do acordo final, as equipes técnicas vão se reunir já na próxima semana para ajustar as cláusulas finais do tratado de paz.
Irã rejeita prazos imediatos
Apesar do otimismo de Islamabad, como é chamada a capital do Paquistão -, o Irã se posicionou de forma mais cautelosa em comunicado oficial. O porta-voz da diplomacia iraniana, Esmaeil Baqaei, disse que o chamado “Memorando de Islamabad” será firmado em breve e em solo paquistanês, mas afastou datas imediatas:
“Teremos que esperar para ver a data exata da assinatura do memorando de entendimento, embora não deva ser amanhã”, pontuou Baqaei, indicando que o governo iraniano tem preferência em “aparar as arestas” antes do definitivo aperto de mãos.

A pouco mais de uma hora, o porta-voz iraniano se manifestou sobre o acordo em tom nacionalista, em sua rede social oficial. Na publicação, Baqaei relembrou o início do conflito militar que o País sofreu dos EUA. Ele afirmou que a “determinação de aço” e a resistência do Irã tranformaram os objetivos dos opositores em fracasso e humilhação.
E mais, ressaltou que o adversário é obrigado agora a admitir que “tentou de tudo”. O diplomata encerrou sua declaração na rede social X citando versos de um poeta persa clássico, Saib Tabrizi, e sinalizou que o Teerã não vai negociar de forma submissa.
Negociação e acordo de paz
O descompasso discursivo reflete o complexo bastidor de negociação entre as nações que ja somam mais de 100 dias de conflito militar direto. Nesta quinta-feira (11), o presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou que as negociações tinham chegado a um consenso real e ventilou chance de assinatura presencial de um acordo de paz. Este aconteceria na Europa neste final de semana, com o vice-presidente JD Vance presente.
Porém, o tom do presidente norte-americano oscilou nas últimas horas desta sexta (12) para sábado (13). Trump chegou a criticar em sua rede social oficial que houve informações vazadas e apontou as autoridades iranianas como as fontes, as classificando como quebra de boa-fé. Um pouco depois o cenário mudou e o chefe dos EUA compartilhou mensagem do chanceler iraniano, Abás Araqchi, que falava do entendimento bilateral que “nunca esteve tão próximo”.

Da escalada da guerra aos termos do acordo
Com a concretização das negociações diplomáticas após consenso técnico nos últimos dois dias, o conflito foi freado após uma grave escalada militar nesta semana. A queda de um helicóptero militar americano perto do Estreito de Ormuz, nessa semana, levou Washington a ataques em retaliação.
Os EUA bombardeou os sistemas e radares de defesa iraniano. Em resposta o Teerã disparou mísseis contra uma base norte-americana em Bahrein e anunciou o fechamento da passagem marítima por Ormuz, temporariamente.
O documento oficial do acordo de paz permanece sob sigilo. Fontes ligadas ao governo norte-americano sinalizaram quem será implementado um cessar-fogo de 60 dias, em todas as frentes de guerra. Outro assunto abordado é o desmanche progressivo de pedaços do programa nuclear do Irã. Além disso, a abertura imediata do Estreito de Ormuz, sem cobrança de taxas de navegação pelo Teerã, está na roda do tratado.
Como contrapartida, os EUA se comprometem em cessar o bloqueio naval na região e a suavizar de forma gradual as penalidades econômicas que estrangulam a economia iraniana. No entando, uma mídia estatal do Irã ressaltou que o país não vai abrir mão do controle soberano sob o Estreito de Ormuz e sob o direito do enriquecimento de urânio para fins de acordo de paz, o que evidencia ajustes finos de discurso e acordos pelas duas nações.
