Limeira processa Governo Federal por morte na Ponte do Esqueleto

A Ponte do Esqueleto é ‘point’ do horror e coleciona acidentes e vítimas fatais por práticas de esportes radicaisDivulgação/Prefeitura de Limeira (SP)

Após o último acidente que vitimou Maria Eduarda Rodrigues de Freitas, de 21 anos, neste sábado (13), a Prefeitura de Limeira (SP) anunciou oficialmente que vai processar o Governo Federal por omissão. Segundo a gestão municipal a área é de competência da União que deve fiscalizar, controlar acesso e fazer manutenções na Ponte do Esqueleto. A prefeitura diz que não houve resposta aos pedidos de providências feitos em 2025.

Maria Eduarda Rodrigues faleceu após saltar de rope jumpingReprodução/redes sociais

Todo o impasse gira em torno da competência do local. Segundo a administração de Limeira, não só a ponte, mas toda a área entorno pertencem diretamente da União. Segundo argumentos do Executivo local, notificações já tinham sido protocoladas em órgãos federais, advertindo sobre os riscos do espaço estar abandonado e da realização contínua de atividades turísticas e esportivas sem regulamentação.

A transferência do foco da problemática entorno da Ponte do Esqueleto para a tônica da omissão na segurança patrimonial de um bem público federal, acontece após forte comoção nas redes sociais cobrando ação efetiva da gestão municipal para evitar de fato, mais mortes e acidentes no local.

Acusações ao Governo Federal

Dentre as omissões do governo federal apontadas pela administração municipal, destaca-se a falta de manutenção na infraestrutura – nas barreiras físicas da ponte – por parte da União. Isso possibilita, segundo a prefeitura, o local seja explorado clandestinamente por empresas de turismo de aventura

A Prefeitura de Limeira afirma que a ação judicial está sob responsabilidade do setor jurídico do município. Eles declaram que o objetivo da medida é obrigar o governo federal a assumir a devida responsabilidade pela estrutura e assim, promover o bloqueio imediato dos acessos à ponte ou implementar uma vigilância initerrupta a fim de impedir novas “reuniões” e práticas esportivas de risco, como os saltos em queda-livre.

O histórico da área e o acidente

Uma antiga estrutura ferroviária que foi abandonada antes da conclusão, a Ponte do Esqueleto foi erguida a 40 metros do Ribeirão do Tatu e virou point de praticantes de esportes radicais como o Rope Jump, e o bungee jumping.

A Ponte do Esqueleto está localizada perto de uma rodovia Reprodução/Google Maps

Por se tratar de um a área federal, o município ressalta que há limitações legais de atuação no local, impedindo intervenções, interdições e sanções mais severas pela gestão municial por esbarrar na competência legal de Brasília. 

A “gota d’água” da reação jurídica das autoridades municipais foi o acidente que vitimou fatalmente a jovem Maria Eduarda de 21 anos, que ao realizar salto organizado pela empresa “Entre Cordas”, foi lançada em queda livre sem os cabos de segurança acoplados ao corpo. A personal trainner que morava na Região Metropolitana de São Paulo caiu de uma altura de cerca de 40 metros de altura.

Maria Eduarda tinha 21 anos e morreu na manhã deste sábado (13) após ser lançada em salto de queda livre sem corda de segurança, em Limeira (SP)Reprodução/redes sociais

Maria Eduarda sofreu politraumatismo dado o forte impacto contra o solo e faleceu na hora. As equipes de socorro confirmaram o óbito no local. A Polícia Militar acabou efetuando a prisão em flagrante de membros da agência de esportes radicais ainda neste sábado (13).

Ao todo seis foram detidos, dentre eles os três homens que “jogaram” a jovem ponte abaixo e fugiram do local logo após constatar que a mulher tinha “batido” no chão. Segundo a Polícia Civil, os suspeitos vão responder por homicídio culposo, por não ter intenção de matar, com agravantes pela negligência ou imperícia no comando da atividade.

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