
A morte de Maria Eduarda Rodrigues de Freitas, de 21 anos, durante uma prática de rope jump em Limeira (SP), trouxe de volta a história de Dan Osman, escalador dos Estados Unidos apontado como um dos nomes ligados ao surgimento da modalidade. Ele morreu em 1998, aos 35 anos, depois que a corda de segurança falhou durante um salto no Parque Nacional de Yosemite, na Califórnia.
Os casos têm diferenças importantes. Em Limeira, a apuração inicial aponta que Maria Eduarda teria sido lançada sem estar conectada à corda principal de segurança. Na morte de Osman, o atleta estava preso ao sistema, mas a corda se rompeu durante a atividade.
O elo entre os dois episódios está no risco do rope jump, prática em que a pessoa salta de uma estrutura alta presa a cordas de escalada. A queda é transformada em um trajeto pendular, como um grande balanço. Qualquer erro de montagem, checagem ou conservação do equipamento pode ter consequência fatal.
Quem foi Dan Osman
Daniel Eugene Osman, conhecido como Dan Osman ou Dano, nasceu em 11 de fevereiro de 1963. Ele ficou famoso nos anos 1990 por praticar esportes radicais ligados à escalada e por aparecer em vídeos que ajudaram a levar o free solo ao público geral.
O free solo é a escalada sem cordas ou outros equipamentos de segurança. Osman também passou a ser associado ao rope jumping, modalidade em que o atleta salta de falésias, desfiladeiros ou formações rochosas preso a cordas.
Osman chegou a registrar saltos de mais de 300 m. A marca fez dele uma referência entre praticantes de esportes radicais.
Dan Osman morreu em 23 de novembro de 1998, no Parque Nacional de Yosemite, nos Estados Unidos. Ele havia retornado ao local para desmontar a torre usada nos saltos, mas decidiu fazer novas descidas ao longo de alguns dias antes de retirar a estrutura.
O acidente aconteceu durante um rope jump em uma formação rochosa conhecida de Yosemite. A corda de segurança falhou, e Osman morreu no local. Ele deixou uma filha, Emma.
A morte foi investigada pelo Serviço Nacional de Parques, com apoio de Chris Harmston, responsável pela garantia de qualidade da Black Diamond Equipment.
A conclusão citada sobre o caso foi que uma mudança no ângulo do salto provavelmente fez as cordas se cruzarem e se enroscarem. O atrito teria causado o corte da corda por derretimento.
Miles Daisher, que estava com Osman no momento do salto, afirmou que as cordas usadas tinham ficado expostas a chuva e neve por mais de um mês antes do acidente. Segundo ele, o equipamento havia sido utilizado em saltos menores naquele dia e no dia anterior.
Entenda o caso em Limeira
Maria Eduarda Rodrigues de Freitas morreu no sábado (13), durante uma prática de rope jump na Ponte do Esqueleto, em Limeira (SP). A jovem foi lançada de cerca de 40 m de altura.

Ela morava na Região Metropolitana de São Paulo e trabalhava como professora de Educação Física em uma academia de Jandira (SP). Era descrita como uma pessoa ativa e costumava publicar registros da rotina profissional, dos treinos e de passeios ao ar livre.
Pouco antes do acidente, Maria Eduarda publicou fotos e vídeos na ponte onde os saltos eram realizados. Depois, foi lançada durante a atividade.
Segundo informações da Polícia Militar (PM), houve falha no procedimento feito pelos responsáveis pela operação. Testemunhas relataram que a jovem foi arremessada sem estar presa à corda de segurança.
Um vídeo que circula nas redes sociais mostra os momentos anteriores ao salto. Depois que Maria Eduarda é lançada, pessoas que estavam no local percebem a ausência da corda e gritam em desespero. As imagens são fortes.
O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e o Corpo de Bombeiros foram acionados. O óbito foi confirmado no local.
Segundo laudo preliminar divulgado pelas autoridades, a causa da morte foi politraumatismo, provocado pela queda.
Polícia investiga empresas responsáveis
A Polícia Militar informou que seis pessoas foram presas após o acidente. O caso é investigado pelo 3º Distrito Policial de Limeira, sob responsabilidade da Polícia Civil.
As empresas Entre Cordas e Ih Voei aparecem ligadas à atividade em registros feitos no local. Nas imagens, homens usam uniformes com os nomes das marcas.
De acordo com a PM, dois homens fugiram depois do acidente e foram encontrados com apoio do helicóptero Águia, da corporação. Testemunhas relataram que parte dos responsáveis pela organização recolheu equipamentos e saiu rapidamente da área antes da chegada das viaturas.
A perícia esteve na Ponte do Esqueleto e recolheu cordas e mosquetões deixados no local. O material deve passar por análise para verificar possível falha na montagem, ausência de equipamento ou danos físicos nos itens usados.
A Entre Cordas desativou o perfil em rede social depois da repercussão do caso. Até o fechamento da reportagem, o iG não havia conseguido contato com representantes das empresas envolvidas.
