
Cientistas identificaram que a África está se dividindo em duas partes mais rápido do que se imaginava antes. Isso acontece em uma grande área de rachaduras conhecida como Rift Turkana, que fica entre a Etiópia e Moçambique.
Segundo os pesquisadores da Universidade Columbia, nos Estados Unidos, a camada externa da Terra na região está ficando mais fina em uma velocidade maior do que era esperado, aumentando a chance de que um novo oceano surja ali no futuro.
Chamada de Rift Turkana, essa área faz parte de uma grande faixa onde duas placas tectônicas estão se afastando lentamente há milhões de anos. Hoje em dia, isso acontece em uma velocidade de cerca de 4,7 milímetros por ano.

Quanto mais essas placas se afastam, a camada que forma o continente vai sendo esticada. Com isso, ela fica mais fina, surgem rachaduras e algumas áreas afundam. Isso também facilita a subida do magma do interior da Terra, o que ajuda a explicar a grande atividade de vulcões da região.
Para entender melhor o que acontece, os pesquisadores analisaram dados de terremotos e fizeram um mapa da parte subterrânea do Rift. Os resultados mostraram que, no centro da fenda, a crosta terrestre tem só 13 quilômetros de espessura em alguns dos trechos, enquanto em outras regiões ela passa dos 35 quilômetros.
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Novo oceano levará milhões de anos
Mesmo com a nova descoberta, os cientistas disseram que a mudança continuará acontecendo muito lentamente. O Rift Turkana começou a se formar há cerca de 45 milhões de anos e ainda vai levar milhões de anos para chegar à sua próxima etapa de evolução.
No futuro, essa parte do continente poderá virar uma nova área de fundo marinho. Quando isso acontecer, a água do mar poderá avançar para dentro da fenda, formando um novo oceano.
Área é repleta de fósseis
O estudo também ajuda a explicar por que a região de Turkana possui uma das maiores quantidades de fósseis de ancestrais humanos já encontradas.
O Rift já revelou mais de 1,2 mil fósseis de hominídeos, com até quatro milhões de anos de idade. Esse número é cerca de um terço de todas as descobertas desse tipo feitas na África.
Os pesquisadores acreditam que a grande atividade de vulcões e o afinamento da crosta provocaram o afundamento do terreno há cerca de quatro milhões de anos. Isso ajudou na formação de áreas onde areia, lama e outros materiais foram se acumulando ao longo do tempo, criando um ambiente ideal para que ossos e fragmentos de antigos sobrevivessem ao tempo.
