Greve: os funcionários da TV Justiça estão pedindo justiça

TV JustiçaCrédito: TV Justiça

Os funcionários da TV Justiça entraram em greve. E isso criou uma situação que nenhum jurista sabe muito bem como resolver.

Quando um trabalhador tem salário atrasado, FGTS não depositado, benefícios retidos, ele procura a Justiça.

Só que desta vez, quem está com salário atrasado, FGTS não depositado e benefícios retidos são os funcionários da TV Justiça.

A Justiça está pedindo Justiça

Vale destacar o detalhe dos benefícios retidos: dá a impressão de que esses profissionais estão pagando a própria condução do bolso para ir trabalhar.

Já estão sendo melhores trabalhadores do que muita gente que reclama de carga horária ganhando muito mais. Como o Raphinha da seleção reclamando que teve que trabalhar nas férias.

E aí vem a pergunta que nenhuma faculdade de direito preparou ninguém para responder: quando a Justiça precisa de Justiça, ela procura quem?

Pensa comigo. O STF teria que abrir um processo contra quem? Contra o STF.

Um ministro teria que julgar uma causa trabalhista em que o réu é o próprio tribunal onde ele trabalha.

Ele se declararia suspeito ou seguiria em frente com a desenvoltura que o público já conhece?

Agora o detalhe mais revelador de tudo isso

O cinegrafista que filma o ministro batendo o martelo numa causa de verba trabalhista está há dez meses sem receber FGTS. Dez meses! Um feto se forma em menos tempo.

Ele filma diariamente as únicas pessoas no país com poder de resolver o próprio problema. Vê esses ministros discursando sobre tecnicidades de justiça e soberania, mas não consegue receber um pix de quem ele mesmo enquadra com a câmera.

O STF afirma que a responsabilidade é da empresa terceirizada contratada para operar as emissoras. Juridicamente, pode até ser verdade.

Mas cabe uma pergunta simples: não é justamente esse o papel do Judiciário, julgar quem tenta empurrar responsabilidade para terceiros?

Nesse caso específico, o STF está, de certa forma, conversando com o espelho.

E talvez o trabalhador brasileiro tenha descoberto agora o que tem em comum com o STF: os dois estão esperando alguém resolver o problema deles.

O lado bom é que as sessões do Supremo continuam sendo transmitidas normalmente. O lado irônico é que talvez seja a primeira vez na história em que a própria programação da TV Justiça sirva como prova contra a instituição que a mantém no ar.

Fica a pergunta final: isso é uma greve, ou uma petição inicial?

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