
Há pouco mais de uma década, os tratamentos de radioterapia exigiam margens de segurança maiores para garantir que a radiação atingisse corretamente o tumor. Isso acontecia porque o corpo humano está em constante movimento — seja pela respiração, pela tosse ou até por pequenas mudanças de posição do próprio paciente durante a sessão. Hoje, graças aos avanços tecnológicos, os equipamentos conseguem acompanhar esses movimentos em tempo real, tornando o tratamento mais preciso e reduzindo a exposição desnecessária dos tecidos e órgãos saudáveis.
Considerada uma das áreas que mais evoluíram na oncologia nos últimos anos, a radioterapia utiliza radiação direcionada para destruir células tumorais. Com a incorporação de novas tecnologias, os tratamentos se tornaram mais personalizados, seguros e menos invasivos. Além de aumentar as chances de controle e cura da doença, esses avanços também contribuem para uma melhor qualidade de vida dos pacientes.
Em Mato Grosso, a Oncomed-MT acompanha essa evolução ao incorporar recursos presentes nos principais centros oncológicos do mundo. Entre as inovações mais relevantes está a radioterapia adaptativa, modalidade que permite ajustar o planejamento do tratamento ao longo das sessões, acompanhando as mudanças naturais do organismo e do próprio tumor durante o processo terapêutico.
“A radioterapia adaptativa funciona como um tratamento que evolui junto com o paciente e a diminuição de sua doença, na grande maioria das vezes, durante o tratamento irradiante. Ao longo das semanas, o tumor pode diminuir de tamanho, órgãos podem mudar discretamente de posição e até a anatomia corporal pode se modificar. Com essa tecnologia, conseguimos atualizar o planejamento sempre que necessário, com auxílio da IA, mantendo a máxima precisão durante todo o tratamento”, explica o rádio-oncologista e consultor de radioterapia da Oncomed-MT, Antônio Cássio Pellizzon (CRM 13878/MT | RQE Nº: 6683).
Outro avanço importante é o chamado tracking (rastreamento tumoral), tecnologia capaz de identificar automaticamente os movimentos do paciente durante a sessão e acompanhar o tumor em tempo real. Na prática, o sistema consegue “seguir” o alvo mesmo diante de movimentos involuntários, como a respiração, garantindo que a radiação seja entregue exatamente onde é necessária.
Esse recurso é especialmente importante em regiões como pulmão, fígado e abdômen, onde pequenas movimentações podem alterar o posicionamento do tumor durante a aplicação da radiação.
“No passado, era necessário irradiar áreas maiores para compensar possíveis deslocamentos do tumor. Hoje, conseguimos monitorar esse movimento continuamente e concentrar a radiação apenas na região que precisa ser tratada, preservando melhor os tecidos saudáveis ao redor”, destaca Pellizzon.
Segundo o especialista, a combinação dessas tecnologias contribui para reduzir efeitos colaterais e ampliar as possibilidades de tratamentos com intenção curativa em diferentes tipos de câncer.
“A radioterapia moderna não busca apenas controlar a doença. Nosso objetivo é tratar o câncer com a maior eficácia possível, preservando a funcionalidade dos órgãos e a qualidade de vida do paciente. Esse é um dos pilares da oncologia contemporânea”, afirma.
Esses recursos fazem parte de uma nova geração de sistemas de radioterapia de alta precisão, como o Radixact, plataforma que integra tecnologias avançadas de imagem, radioterapia adaptativa e rastreamento tumoral em tempo real. Considerado um dos equipamentos mais modernos da atualidade, o sistema deve ampliar em breve o acesso a tratamentos de alta tecnologia em Cuiabá.
“Nos últimos anos, a radioterapia deixou de ser apenas uma ferramenta complementar e passou a desempenhar um papel cada vez mais estratégico no tratamento do câncer. Os avanços tecnológicos trouxeram ganhos expressivos em precisão, segurança e resultados, beneficiando diretamente os pacientes”, conclui Pellizzon.
