‘Barbárie’, diz tutor de cachorro baleado por PM em BH

PM que atirou em cachorro presta depoimento
O tutor do cachorro baleado por um policial militar em Belo Horizonte prestou depoimento à Polícia Civil nesta terça-feira (16). Durante entrevista à TV Globo, ele classificou o caso como uma “barbárie”.
O animal, um bulldog francês chamado Bruce, foi atingido por um tiro no abdômen durante uma confusão registrada por câmeras de segurança na Avenida Barão Homem de Melo, no bairro Nova Granada, na Região Oeste da capital.
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Alexandre Andrade foi ouvido pela Delegacia Especializada de Crimes Contra o Meio Ambiente horas depois de o militar apontado como autor dos disparos prestar depoimento.
Segundo o tutor, imagens e outras provas foram entregues aos investigadores.
“Os vídeos estão aí, gente, prova por si só a barbárie que foi feita”, afirmou.
O caso aconteceu na segunda-feira (15). Imagens de uma câmera de segurança mostram o policial caminhando pela calçada quando Bruce se aproxima e late.
Na sequência, o homem saca uma arma e atira contra o cachorro. O tutor tenta intervir, mas o animal volta a se aproximar. As imagens mostram que o policial faz novos disparos.
Desesperado, Alexandre chega a segurar a arma para impedir que ele continue atirando. Um funcionário da loja ajuda a conter a situação e retira o cachorro ferido do local.
A perícia da Polícia Civil recolheu cinco cápsulas deflagradas na cena. Pelo menos um dos disparos atingiu Bruce na região abdominal.
Estado de saúde
Bruce foi levado para uma clínica veterinária logo após o ataque.
Segundo os veterinários, o projétil atravessou a região abdominal do animal, mas não atingiu órgãos vitais. O cachorro permanece internado e apresenta quadro estável.
Alexandre afirmou que o bulldog francês faz parte da família.
“Minha criança, cara. Carrego ele. Ele tem 4 anos. Ele vai e volta comigo de todos os lugares que eu vou, viagem, tudo. Ele vai comigo”, disse.
O que diz a polícia
O homem apontado como autor dos disparos foi identificado como Davidson Cássio de Souza Santos, terceiro-sargento da Polícia Militar de Minas Gerais. Conforme o Portal da Transparência do Estado, ele está na ativa.
O militar prestou depoimento à Polícia Civil na manhã desta terça-feira (16). Segundo a corporação, após ser interrogado, o homem, de 42 anos, foi liberado porque não estava em situação de flagrante.
A Polícia Civil informou que instaurou inquérito para apurar o caso.
Em nota, a Polícia Militar afirmou que tomou conhecimento da ocorrência e que adotará todas as providências cabíveis.
Para a presidente da Comissão Estadual de Direito dos Animais da OAB-MG, Daniela Recchioni, o policial poderá responder pelo crime de maus-tratos contra animais e também ser alvo de procedimento administrativo disciplinar.
Alexandre disse confiar na apuração do caso e espera que os responsáveis sejam punidos.
“Confio muito na Corregedoria. Confio muito na Polícia Militar, na Polícia Civil e eu sei que não foi um erro da corporação. Isso foi um caso que aconteceu com esse cidadão e que a Justiça seja feita”, declarou.
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