Múmias de crianças e sarcófago raro são achados em tumba no Egito

Sarcófago de calcário com cerca de 1,8 metro foi encontrado em uma tumba escavada na rocha em Assuã, no EgitoReprodução/Ministério do Turismo e das Antiguidades do Egito

Arqueólogos do Egito e da Itália encontraram múmias de crianças e um raro sarcófago de calcário com cerca de 1,8 metro de altura em uma tumba escavada na rocha na necrópole próxima ao Mausoléu Aga Khan, em Assuã, no Egito.

A tumba, encontrada a mais de dois metros de profundidade e acessada por uma escada de pedra com nove degraus, também preservava escritos em hieróglifos que identificam o proprietário do túmulo como Ka-Mesiu, um importante funcionário de sua época.

O sarcófago estava apoiado em uma base esculpida na própria rocha. A tampa tem formato humano, com um rosto entalhado, detalhes que representam uma peruca decorativa e sinais de pintura antiga.

Escadaria de pedra levava à câmara funerária localizada a mais de dois metros abaixo da superfícieReprodução/Ministério do Turismo e das Antiguidades do Egito

Ainda, nos hieróglifos, os textos trazem orações para as divindades ligadas à região de Assuã. Os textos também citam membros da família da múmia.

Próximo ao sarcófago, os arqueólogos encontraram outros sepultamentos, incluindo múmias de crianças. Exames de tomografia revelaram que uma delas tinha entre quatro e seis anos de idade, enquanto a outra tinha entre oito e nove anos. As imagens também mostraram pedaços de madeira usados durante o processo de mumificação, danos ocorridos após a morte e objetos de adorno, como pulseiras e braceletes, escondidos sob as faixas de tecido.

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Tumba guardava um sarcófago decorado com inscrições em hieróglifosReprodução/Ministério do Turismo e das Antiguidades do Egito

Antigo cemitério pode ser muito maior

Os pesquisadores acreditam que o local de sepultamentos ao redor do Mausoléu Aga Khan seja muito maior do que se imaginava.

Segundo um estudo divulgado pela Universidade de Milão em 2026, mais de 400 tumbas já foram mapeadas em uma área superior a 75 mil metros quadrados.

As descobertas mostram que a necrópole foi usada por pessoas de diferentes classes sociais, segundo Mohamed Ismail Khaled, secretário-geral do Conselho Supremo de Antiguidades.

As famílias mais ricas eram enterradas em tumbas no topo do planalto, enquanto os sepultamentos da classe média ficavam nas encostas próximas ao Mausoléu Aga Khan.

Outros estudos realizados na área acharam sinais de doenças como tuberculose e artrite em alguns restos mortais. Os pesquisadores ainda investigam se surtos de doenças contagiosas podem ter influenciado a distribuição desses túmulos antigos.

Pesquisadores acreditam que o antigo cemitério seja muito maior do que o estimadoReprodução/Ministério do Turismo e das Antiguidades do Egito

O topo da colina tem grandes tumbas subterrâneas construídas durante o período ptolomaico para famílias da elite. Mais tarde, essas estruturas também passaram a ser reutilizadas durante o domínio romano, segundo Mohamed Abdel-Badei, responsável pelo Setor de Antiguidades Egípcias do Conselho Supremo de Antiguidades.

Região reunia povos de diferentes origens

Segundo o ministro do Turismo e Antiguidades do Egito, Sherif Fathy, as descobertas ajudam os pesquisadores a entender melhor como funcionava a sociedade da região durante os períodos ptolomaico e romano.

Uma publicação da Universidade de Milão descreve Assuã como uma região de fronteira onde conviviam diferentes povos. Entre eles estavam egípcios, núbios, persas, fenícios, gregos e romanos, que viviam próximos das antigas cidades de Elefantina e Siena.

Objetos e múmias encontrados em tumbas da região foram datados entre o século III antes de Cristo e o século II depois de Cristo, cobrindo cerca de 500 anos de história.

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