Escala 6×1: o que acontece agora com a retirada da urgência?

Líder do governo na Câmara dos Deputados, Paulo Pimenta (PT)Marina Ramos / Câmara dos Deputados

O Projeto de Lei (PL) que estabelece o fim da escala de seis dias trabalhados por um de descanso não tramita mais em regime de urgência constitucional na Câmara dos Deputados, a pedido do governo federal, nesta terça-feira (16). A proposta que reduz de 44h para 40h a jornada de trabalho estava trancando a pauta do Plenário que estava congelada para priorizar a tramitação do texto. A matéria segue agora para comissões técnicas

Com a mudança no curso desse texto, a PL 1838/2026 sai do patamar de votação imediata, o chamado “corredor expresso”, com prazo rígido de 45 dias para ser analisado pelos deputados federais. Agora o ritmo segue de forma regular, dentro do processo Legislativo da Câmara, o que altera os rumos do debate em cima dos direitos trabalhistas no Congresso Nacional. 

Nova tramitação do projeto

O texto agora vai ser distribuído para as comissões temáticas da Câmara, dando largada nos trabalhos pela Comissão de Trabalho (CT) e, na sequência, vai para Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). Com a aprovação conclusiva do texto pelo colegiado destas comissões comissões, o projeto segue diretamente para o Senado Federal, sem precisar de nova votação no Plenário pelos deputados. 

Segundo informações da Câmara, o texto do projeto que visa a alteração das normas da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), estabelecendo nova jornada e escala de trabalho só passaria de novo pelo Plenário para a votação geral, no caso de haver algum recurso formal da oposição para forçar um novo debate.

Este Projeto de Lei que tramita na Câmara visa a regulamentação da redução da jornada de trabalho na Lei da CLTMarcello Casal Jr/Agência Brasil

Agora a matéria que não tem mais a pressão do relógio, vai passar por longas audiências públicas e debates com representantes da indústria e do comércio, o que empurra definições para o segundo semestre de 2026, já que em julho o Congresso entra em recesso parlamentar e ficam sem atividade parlamentar de 18 a 31 de julho.

Os bastidores da PL

Segundo a liderança do governo, o passo para trás foi estratégico para evitar que os deputados votassem um texto repetitivo. Já que os parlamentares aprovaram a Proposta de Emenda à Constituição (PEC 221/2019) sobre o mesmo tema em 27 de maio, votar esse PL agora seria, segundo a articulação política do governo federal, um movimento sem efeitos práticos instantâneos.

Deputados reunidos no Plenário para apreciação da PECBruno Spada/Câmara dos Deputados

O líder do governo na Câmara, explica o ponto de vista governamental ante o recuo com o projeto de lei:

Já o presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos), vinha forçando uma solução para destravar a pauta de votações e abrir caminho para outros assuntos de prioridade como: regularização da Inteligência Artificial (AI), a criminalização da misoginia e o aumento do teto de faturamento do Microempreendedor Individual (MEI).

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