
Após 16 anos de espera, famílias seguem sem receber apartamentos prometidos pelo governo em Inhaúma
Mais de 600 famílias que deixaram uma ocupação em Inhaúma, na Zona Norte do Rio, há 16 anos, continuam à espera da moradia prometida pelo Governo do Estado.
Um dos conjuntos habitacionais construídos para atender os beneficiários está praticamente concluído, mas a entrega dos apartamentos foi adiada porque a rede de esgoto da rua ainda não foi finalizada.
Os moradores viviam em uma ocupação instalada no terreno de uma antiga fábrica de cerveja desativada desde 1994.
Apartamentos construídos pelo Governo do Estado em Inhaúma aguardam a conclusão da rede de esgoto para serem entregues
Reprodução/TV Globo
Em 2009, após um incêndio, o local foi considerado área de risco e as famílias foram removidas. Na época, o governo estadual prometeu realocar todos os moradores em novas unidades habitacionais.
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Entre eles está a pedagoga Ana Paula Lourenço de Jesus. Ela afirma que acompanha a construção dos prédios há anos e que a demora gera frustração e incerteza.
“É um misto de emoção. Você sente que está chegando, mas não sabe quando vai chegar. Aqui tem o sonho de muita gente. Eu perdi meu esposo e ele não vai ter o prazer de chegar na casa dele”, disse.
Atualmente, Ana Paula mora de aluguel no Complexo do Alemão. Segundo ela, a promessa de uma moradia definitiva se arrasta desde a remoção da ocupação.
“A gente acabou sendo iludido pela promessa de que teria uma casa, uma moradia digna, um CEP. Hoje eu ainda espero por isso”, afirmou.
Apartamentos prontos, mas sem entrega
Ana Paula e Alexandre aguardam a entrega dos apartamentos há 16 anos
Reprodução/TV Globo
O conjunto habitacional mais avançado conta com 440 apartamentos. De acordo com a placa da obra, a construção foi iniciada em julho de 2023 pela Abre Construtora, com investimento de R$ 77 milhões. A previsão era de entrega em dezembro de 2024.
No início de junho deste ano, os futuros moradores participaram de uma reunião em que foi realizado o sorteio dos apartamentos. Eles já sabem em qual bloco e unidade vão morar, mas ainda não receberam as chaves.
Segundo os beneficiários, a justificativa apresentada foi que os prédios ficaram prontos antes da conclusão da rede de esgoto externa.
“Aí eu pergunto: como é que faz uma obra desse tamanho sem o esgoto externo?”, questionou Ana Paula.
O aposentado Alexandre Jorge da Silva Freitas também participou do sorteio. Para ele, os sucessivos adiamentos aumentam a desconfiança.
“O prazo dado no primeiro sorteio foi julho. Agora falaram setembro. Daqui a pouco muda de novo”, disse.
Enquanto aguardam a entrega das moradias, as famílias recebem auxílio-aluguel de R$ 400 por mês. O valor é o mesmo desde 2010.
“Eu continuo pagando aluguel e recebendo R$ 400. Hoje pago R$ 600 para morar”, afirmou Alexandre.
Outro residencial também acumula atraso
Obra de residencial com 320 unidades habitacionais ainda está em andamento e acumula atraso de mais de dois anos
Reprodução/TV Globo
No terreno onde funcionava a antiga fábrica, o governo estadual também constrói outro conjunto habitacional destinado às famílias removidas da ocupação.
Em 2022, a então Secretaria de Infraestrutura firmou contrato com a construtora R2X para a construção de 320 unidades habitacionais. O investimento previsto era de mais de R$ 53 milhões.
A ordem de início dos serviços estabelecia prazo de 540 dias para a conclusão da obra, com término previsto para dezembro de 2023. No entanto, equipes ainda trabalham no local, e a entrega acumula atraso de cerca de dois anos e meio.
Após 16 anos de espera, as famílias seguem sem uma data definitiva para ocupar os imóveis prometidos.
A Secretaria de Estado de Habitação informou que o conjunto habitacional com 440 apartamentos está em fase final de construção e que a previsão de conclusão é dezembro deste ano. O prazo é diferente do informado aos beneficiários durante a reunião realizada neste mês, quando a previsão apresentada era setembro.
Segundo a pasta, o Governo do Estado assumiu as obras em 2022 porque o terreno havia sido inicialmente destinado a um empreendimento que seria financiado pela Caixa Econômica Federal. O Ministério das Cidades informou que o residencial não integra o programa Minha Casa, Minha Vida e não recebe recursos federais.
Sobre a falta da rede de esgoto, a secretaria afirmou que as condições topográficas do terreno inviabilizaram o projeto original, o que exigiu a implantação de uma nova rede externa.
As construtoras responsáveis pelos empreendimentos foram procuradas, mas, até a última atualização dessa reportagem, não tinham dado retorno.
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