Secretária de saúde é exonerada após prisão em operação que investiga fraude de R$ 139 milhões


Servidor investigado por fraude em contrato da Saúde de Palmas é exonerado
A secretária de saúde de Palmas, Dhiene Caminski, foi exonerada do cargo após a prisão decretada pela pela Justiça do Tocantins durante investigação que apura supostas fraudes no processo de terceirização das Unidades de Pronto Atendimento de Palmas pelo valor de R$ 139,1 milhões. A exoneração foi publicada no Diário Oficial de Palmas nº 3.972, desta quarta-feira (17).
Secretária de Saúde de Palmas é exonerada após ser presa em operação que investiga fraude de R$ 139 milhões
Dhieine Caminski e o superintendente Andreis Vicente da Costa pediram para deixar os cargos. Investigação apura supostas irregularidades na terceirização das UPAs da capital.
A secretária de saúde de Palmas, Dhieine Caminski, foi exonerada do cargo nesta quarta-feira (17). A saída ocorre após a sua prisão pela Polícia Civil durante uma investigação que apura supostas fraudes no processo de terceirização das Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) de Palmas, em um contrato de R$ 139,1 milhões. A decisão foi publicada no Diário Oficial do Município.
Dhieine Caminski foi presa no último dia 10 de junho, durante a segunda fase da Operação Falsa Emergência. Na mesma ação, também foram presos o superintendente de Atenção à Saúde, Andreis Vicente da Costa, e a empresária Cláudia Fernanda Cândido da Silva, apontada como lobista no contrato. A investigação apura indícios de direcionamento de contratação, falsidade ideológica e corrupção passiva e ativa no acordo firmado sem licitação com a Irmandade Santa Casa de Misericórdia de Itatiba.
Além da secretária, o superintendente de Atenção à Saúde, Andreis Vicente da Costa, também foi exonerado nesta quarta-feira. Assim como Dhieine, a publicação oficial informa que a saída de Andreis ocorreu “a pedido” do próprio servidor. Ele estava preso desde o dia 10 e, segundo a defesa, já havia solicitado o retorno ao seu órgão de origem antes mesmo da prisão.
Prisões
As investigações da Polícia Civil apontam que o contrato de terceirização pode ter sido fruto de uma “emergência fabricada” para justificar a dispensa de licitação. Entre as irregularidades apontadas estão a produção de documentos com datas retroativas e a pressão sobre servidores para assinarem pareceres técnicos favoráveis ao contrato, mesmo sem acesso ao plano de trabalho da entidade.
No caso de Dhieine Caminski, a Justiça decretou a prisão por conveniência da instrução criminal. Mensagens eletrônicas indicaram que ela teria usado sua posição hierárquica para monitorar e tentar influenciar os depoimentos de subordinados à polícia após o início das investigações.
Já contra Andreis Vicente, pesou a suspeita de que ele redigia minutas de pareceres e as entregava prontas para assinatura, sem debate prévio. Ele também foi flagrado utilizando um carro de luxo que teria sido locado pela empresária Cláudia Fernanda, o que a polícia investiga como suposto pagamento de propina.
Contrato de R$ 139 milhões segue vigente
Apesar das prisões e das exonerações da cúpula da Saúde, o contrato com a Irmandade Santa Casa de Misericórdia de Itatiba continua valendo. O acordo, anunciado em março de 2026, previa o repasse de R$ 139 milhões por 12 meses de gestão das UPAs Norte e Sul.
O contrato chegou a ser suspenso pelo Tribunal de Justiça do Tocantins (TJ-TO), que identificou um aumento de custos de cerca de 800% (passando de R$ 16,8 milhões para R$ 139,1 milhões anuais) sem justificativa estrutural. No entanto, o município recorreu ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), que autorizou a manutenção da terceirização para evitar riscos de interrupção no atendimento à população até que o mérito seja julgado definitivamente.
Em nota, a Prefeitura de Palmas informou que acompanha o caso e tem prestado todas as informações requeridas pela Justiça e pela Polícia Civil, ressaltando que o atendimento nas UPAs segue funcionando regularmente. A Irmandade Santa Casa de Itatiba nega irregularidades e afirma que colabora com as autoridades. As defesas dos investigados informaram que buscam a revogação das prisões.
Dhieine Caminski, secretária de saúde de Palmas
Divulgação/Prefeitura de Palmas
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