
O fenômeno El Niño deve ganhar ainda mais intensidade durante o inverno no Hemisfério Sul e pode evoluir para um episódio classificado como Super El Niño nos próximos meses. A análise é da MetSul Meteorologia, que identificou um novo processo de aquecimento no Oceano Pacífico capaz de reforçar significativamente o fenômeno climático.
Segundo a previsão, uma nova onda Kelvin, que é como um pulso de calor que se desloca pelas profundezas do oceano, está em formação no Pacífico Equatorial. Esse mecanismo transporta grandes volumes de água quente em direção ao Pacífico Central e ao litoral da América do Sul, ampliando o aquecimento já observado na região.
O que está acontecendo no Pacífico?
O Oceano Pacífico já apresenta uma extensa área de águas mais quentes do que o normal abaixo da superfície. Agora, a chegada de uma nova onda Kelvin deve intensificar ainda mais esse aquecimento.
De acordo com a MetSul, o fenômeno ocorre após episódios recentes de ventos de oeste na faixa equatorial do Pacífico. Esses ventos enfraquecem os tradicionais ventos alísios, permitindo que águas quentes acumuladas no oeste do oceano avancem em direção ao continente sul-americano.
À medida que essa energia térmica se move, diminui a influência das águas frias que normalmente ajudam a equilibrar as temperaturas do Pacífico Oriental. O resultado é um cenário favorável para o fortalecimento do El Niño.
Aquecimento já se compara com grandes eventos históricos
Os dados analisados na pesquisa mostram que o atual episódio já apresenta indicadores comparáveis aos registrados durante alguns dos mais fortes eventos das últimas décadas.
Na região conhecida como Niño 1+2, próxima ao Peru e ao Equador, a temperatura da água está cerca de 2,7°C acima da média histórica. Já na região Niño 3.4, considerada a principal referência para medir a intensidade do fenômeno, os índices também demonstram um aquecimento expressivo.
Segundo os meteorologistas, o El Niño de 2026 está mais avançado em seu desenvolvimento neste período do ano do que os episódios registrados em 1997 e 2015, dois dos mais intensos já observados.
Quais serão os impactos no Brasil?
Embora cada episódio de El Niño tenha características próprias, os efeitos costumam ser sentidos principalmente a partir do segundo semestre, especialmente entre o final do inverno e a primavera.

No Norte do país, a tendência histórica é de redução das chuvas, aumento do calor e maior risco de queimadas. No Nordeste, o fenômeno costuma favorecer períodos de seca, afetando reservatórios e a produção agrícola.
No Centro-Oeste e no Sudeste, os modelos climáticos indicam que este evento poderá apresentar comportamento diferente do observado nos últimos anos, com possibilidade de chuvas acima da média em diversas áreas e temperaturas mais baixas durante parte do outono e do inverno.
Já no Sul do Brasil, a expectativa é de impactos mais intensos. Historicamente, o El Niño está associado ao aumento das precipitações, maior frequência de temporais, enchentes, vendavais, granizo e até tornados.
Sul do país concentra maior risco
A MetSul destaca que a Região Sul deve ser a mais afetada por este episódio. O risco de eventos extremos aumenta principalmente entre o final do inverno, a primavera e o outono de 2027.
Os meteorologistas alertam que a ocorrência de cheias e enchentes é considerada praticamente inevitável em anos de El Niño forte, embora ainda seja impossível prever a dimensão dos impactos ou se haverá eventos semelhantes às grandes enchentes registradas no Rio Grande do Sul em anos anteriores.
A previsão é de que os próximos meses sejam acompanhados com atenção por especialistas, autoridades e setores econômicos, já que a evolução do fenômeno pode influenciar diretamente atividades como agricultura, abastecimento de água, geração de energia e gestão de desastres naturais.
