
O governo da Argentina emitiu um alerta após um roubo de Césio-137 de um laboratório na cidade de Rosario, nesta terça-feira (16).
A substância radioativa estava guardada dentro de uma cápsula de chumbo, criada para evitar a liberação de sua radiação para o ambiente.
As autoridades avisam que ninguém deve abrir, transportar ou mexer no objeto. Caso ele seja encontrado, a recomendação é avisar imediatamente a Autoridade Regulatória Nuclear (ARN) para que as equipes façam a retirada de modo seguro.
O sumiço foi notado quando os técnicos do laboratório iriam usar a cápsula para calibrar equipamentos médicos. Ao chegarem ao lugar onde o Césio-137 era guardado, descobriram que ele havia desaparecido.
Logo após ser informada sobre o caso, a ARN ativou o Sistema de Intervenção em Emergências Radiológicas (SIER) e comunicou a Agência Federal de Emergências (AFE) e a Divisão de Risco Radiológico e Nuclear da Polícia Federal Argentina, que repassaram o alerta às autoridades locais.
As investigações agora buscam descobrir quando o material sumiu e quem teve acesso a ele.
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O que é o Césio-137
O Césio-137 é uma substância radioativa produzida em processos nucleares que envolvem a divisão de átomos. Em condições controladas, ele é usado para calibrar aparelhos que medem radiação. Ainda pode ser utilizado em tratamentos contra o câncer e em alguns equipamentos usados pela indústria.
Se a substância for respirada ou ingerida, ela pode se espalhar pelo organismo e acumular principalmente nos músculos, o que aumenta os danos à saúde.
A exposição a grandes quantidades de Césio-137 pode causar queimaduras graves, doenças provocadas pela radiação e, nos casos mais extremos, levar à morte e aumentar o risco de câncer.
No meio ambiente, o césio pode ser levado pelo vento, se misturar com a água e se prender ao solo ou em superfícies como concreto. Pequenas quantidades dele ainda podem ser encontradas em diferentes locais por causa de testes nucleares realizados no passado e de acidentes envolvendo o material radioativo.
Acidente de Goiânia
O desaparecimento do material na Argentina lembra o acidente de 1987 em Goiânia, que marcou o Brasil e é considerado o maior desse tipo já registrado em uma área urbana.
O caso começou em 13 de setembro daquele ano, quando dois catadores encontraram um aparelho de radioterapia abandonado no antigo Instituto Goiano de Radioterapia (IGR). Dentro do equipamento tinha uma cápsula de Césio-137, que foi levada e vendida para Devair Alves Ferreira, proprietário de um ferro-velho.
Sem saber dos riscos, Devair e outras pessoas ficaram encantados pelo brilho azul da substância e distribuíram entre familiares e amigos. Pouco tempo depois, as pessoas começaram a apresentar sintomas como náuseas, tontura, vômitos e diarreia.
O motivo do problema só foi descoberto quando Maria Gabriela, esposa de Devair, desconfiou do pó azul. Em 28 de setembro, ela levou a cápsula até a Vigilância Sanitária e, no dia seguinte, as autoridades confirmaram que era um material radioativo.
Depois de identificar o risco, milhares de pessoas passaram por exames e procedimentos de descontaminação. Casas foram demolidas, áreas inteiras foram isoladas e toneladas de solo chegaram a ser removidas.
