
Por: Sofia Barbuio
À primeira vista, eles parecem quase iguais. Todos têm pescoço longo, grandes olhos e habitam algumas das paisagens mais espetaculares da América do Sul. Mas vicunhas, alpacas, guanacos e lhamas são espécies diferentes, com histórias evolutivas distintas e papéis importantes na cultura e nos ecossistemas andinos.
Esses quatro animais pertencem ao grupo dos camelídeos sul-americanos, parentes distantes dos camelos e dromedários. Dois deles são selvagens a vicunha e o guanaco enquanto a alpaca e a lhama foram domesticadas por povos andinos há milhares de anos. Estudos genéticos indicam que a alpaca descende da vicunha e a lhama do guanaco.
A seguir, conheça as principais diferenças entre eles.
1. O guanaco é o ancestral selvagem da lhama
Encontrado principalmente na Patagônia, o guanaco (Lama guanicoe) é considerado o maior camelídeo selvagem da América do Sul. Vive em regiões abertas, suporta ventos intensos e temperaturas rigorosas e pode percorrer grandes distâncias em busca de alimento. Hoje, suas populações somam mais de um milhão de indivíduos distribuídos entre Argentina, Chile, Peru e Bolívia.
Com pelagem marrom-clara, barriga branca e orelhas curtas, ele é mais esguio do que a lhama. Os cientistas acreditam que os povos andinos domesticaram o guanaco há cerca de 6.500 anos, dando origem à lhama.
2. A lhama foi a “mula” dos Andes
Muito antes da chegada dos cavalos ao continente, as lhamas (Lama glama) já eram utilizadas pelos povos andinos para transportar cargas através das montanhas.
Mais robusta que o guanaco, a lhama pode carregar equipamentos e alimentos por longas distâncias em altitudes elevadas. Uma de suas características mais marcantes são as orelhas alongadas, frequentemente comparadas ao formato de uma banana. Hoje, além de serem usadas em atividades rurais, elas se tornaram um símbolo turístico dos Andes.
3. A vicunha produz uma das lãs mais valiosas do mundo
Elegante e delicada, a vicunha (Vicugna vicugna) é o menor dos quatro camelídeos andinos. Ela vive em altitudes superiores a 3.000 metros, principalmente no Peru, Bolívia, Chile e Argentina.
Sua fama vem da lã extremamente fina, considerada uma das fibras naturais mais valiosas do planeta. Durante o século XX, a caça intensa quase levou a espécie à extinção, mas programas de conservação permitiram a recuperação de suas populações. Atualmente, a coleta da fibra é feita de forma controlada, sem a necessidade de sacrificar os animais.
Por ser selvagem, a vicunha mantém distância dos humanos e é muito mais difícil de observar do que alpacas e lhamas.
4. A alpaca é criada principalmente pela sua fibra macia
Se existe um camelídeo que costuma conquistar turistas à primeira vista, é a alpaca (Vicugna pacos). Menor que a lhama e coberta por uma pelagem volumosa, ela foi domesticada há milhares de anos justamente pela qualidade de sua fibra.
As alpacas são criadas em rebanhos por comunidades andinas, especialmente no Peru, país que concentra a maior população mundial da espécie. Sua lã é usada na fabricação de roupas, mantas e acessórios apreciados por sua leveza e capacidade de isolamento térmico.
Ao contrário das vicunhas e dos guanacos, elas dependem dos cuidados humanos para sobreviver.
Embora sejam frequentemente confundidos, esses quatro camelídeos contam a história de uma das relações mais antigas entre seres humanos e animais na América do Sul. Dos ventos gelados da Patagônia às montanhas do Altiplano, eles continuam sendo parte fundamental da paisagem e da cultura andina.
