
Pedro Batista, de 21 anos, concilia o trabalho na construção civil com balé
“A dança é a minha vida. É a minha paixão, é tudo o que eu quero.” A frase resume o que o balé representa para Pedro Batista, de 21 anos. Além de bailarino, o jovem é servente de pedreiro em Ribeirão Preto (SP) e faz cookies na busca de sustentar o sonho. Recentemente, ele foi selecionado para participar do Festival de Dança de Joinville (SC), considerado o maior do país.
Mais do que uma atividade artística, a dança se tornou a principal forma que o jovem encontrou para expressar sentimentos e projetar o futuro.
Segundo Pedro, qualquer emoção pode ganhar forma por meio dos movimentos. “Você pode expressar raiva, tristeza, felicidade. A dança é tudo. Você pode transmitir o que você quiser pela dança. É uma forma que você tem de criar”, diz.
A história de Pedro se divide entre a rotina do trabalho em obras e os ensaios de balé em Ribeirão Preto.
Há cerca de um ano, ele se dedica à modalidade em uma escola de dança da cidade, onde conquistou uma bolsa de estudos.
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Pedro Batista tem rotina dividida entre trabalho na construção e ensaios de balé em Ribeirão Preto (SP)
Serginho Oliveira/EPTV
Preconceito dos dois lados
Conciliar as duas atividades representou para ele ter que lidar com o preconceito tanto por parte de colegas de trabalho como de dança. De um lado, parte dos companheiros de obra ainda acham que homem não pode dançar balé.
“Na obra, a gente sofre um pouco de preconceito pelo fato de estar dançando. Homem dançar balé é um pouco mais mal visto assim.”
De outro lado, alguns colegas de balé colocam em descrédito a iniciativa de Pedro em se aprimorar na dança só porque é servente de pedreiro.
“No balé eu sinto um pouco desse preconceito quando eu falo que eu trabalho em obra, porque parece que estou invalidando o que eu estou fazendo aqui. É como se eu fosse, não sei, como se eu estivesse perdendo tempo, como se eu quisesse brincar aqui, entende? Eu sinto bastante isso vindo dos outros.”
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Pedro Batista trabalha como servente de pedreiro para se sustentar e faz aulas de balé em Ribeirão Preto (SP).
Sérgio Oliveira/EPTV
Balé e construção têm muito em comum
Mas Pedro afirma que, ao se envolver com os dois mundos, descobriu mais semelhanças com o seu ofício de servente de pedreiro do que imaginava.
“Ambos exigem força, ambos exigem técnica, porque se você acaba fazendo alguma coisa na obra, você vai se machucar também. São mundos distantes, mas, querendo ou não, são muito parecidos. Então, eu uso bastante do que eu aprendo na obra aqui e bastante de coisas que eu aprendo aqui na obra também”, diz.
Levar esperança
O bailarino também vê na arte uma maneira de levar esperança para outras pessoas. Nas redes sociais, onde compartilha parte da rotina de ensaios e apresentações, ele tenta aproximar a dança de quem nunca teve contato com esse universo.
“Tudo o que eu almejo na minha vida é em torno da dança. O que eu quero é transmitir isso para mais pessoas, sem precisar ser dançarino ou estar no meio artístico.”
Quando pensa no que leva ao palco, a resposta vem acompanhada de um desejo maior. “Eu expresso esperança. A dança ainda não é tão valorizada no Brasil. Tenho esperança de conseguir fazer algo por ela no país inteiro.”
Pedro vive a expectativa de viajar a Joinville e participar de um festival de dança, considerado o maior do país.
Para conseguir viajar, ele tenta arrecadar recursos conciliando a jornada na construção civil com bicos e outras atividades. “É uma verdade absoluta dentro de mim. O amor pela dança é o que me move”, afirma.
Pedro Batista, bailarino e ajudante de pedreiro em Ribeirão Preto (SP).
Serginho Oliveira/EPTV
Paixão desde a infância
Pedro conta que a paixão pela dança começou na infância, com os clipes de hip hop que assistia na internet e com os quais aprendeu os primeiros passos.
“Sempre achei muito interessante a questão de como eles se moviam. Eu comecei no hip hop. Eu treinava em casa, treinava vendo vídeo no YouTube, porque eu achava muito interessante”, conta.
Até recentemente, essa era a linguagem que ele mais utilizava para se expressar até que conheceu o balé ao receber um primeiro papel em um espetáculo e uma bolsa de estudos de uma tradicional escola de dança da cidade. Foi o suficiente para uma virada de chave e uma mudança de mentalidade.
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