Bactérias ajudaram a preservar pterossauro de 113 milhões de anos

Vestígios são mantidos no Museu de Paleontologia Plácido Cidade Nuvens, da Universidade Regional de Cariri, no Ceará Foto: URCA/Divulgação

Uma pesquisa internacional liderada por cientistas do Brasil descobriu um mecanismo de fossilização que pode explicar como tecidos moles e outras estruturas frágeis são preservadas por tanto tempo. O estudo partiu de um fóssil de pterossauro de 113 milhões de anos, encontrado no Ceará em 2012, na Bacia do Araripe. Os vestígios são reconhecidos como um dos fósseis mais bem preservados na Terra. A pesquisa foi publicada na reviste iScience e sugere que bactérias oxidantes de enxofre tem papel central na preservação do animal fossilizado. Segundo a pesquisa, os microrganismos causam uma série de reações químicas capazes de “selar” a matéria orgânica antes que sejam destruídas pela decomposição, ainda que sejam frágeis. Por outro lado, o fóssil em questão também ajudou os cientistas a entenderem mais sobre o animal, que era um pterossauro da família Anhangueridae, grandes répteis voadores do Cretáceo. A pesquisa foi publicada na última quinta-feira (18) e também contou com cientistas da Alemanha, Austrália e Estados Unidos. O quórum reúne especialistas de 15 instituições globais, incluindo a Universidade Curtin (Austrália), o Museu Nacional/UFRJ, a Universidade Regional do Cariri (URCA), o CSIRO (Austrália) e o Field Museum (EUA).

Processo químico é muito raro e ocorre no mar

Segundo os pesquisadores, uma parte da asa do pteurossauro se desprendeu do resto do corpo e submergiu até o fundo do mar. Lá, encontrou um ambiente com pouco oxigênio, que mesmo em pouca quantidade seguiu com a decomposição. Esse cenário iniciou um efeito dominó químico. Os microrganismos que se alimentavam da matéria em decomposição eram oxidantes de enxofre. Ao longo da atuação, desencadearam a formação de minerais e sulfatos, que criaram uma camada resistente nas partes remanescente do animal, mesmo em escala microscópica. A “eficiência” do processo foi tanta que preservou a anatomia tridimensional do animal, tecidos moles e até esteroides. Essas últimas moléculas, por sua vez, indicam outra descoberta: que a dieta dos animais deveria ser composta por peixes ou lulas.

Pteurossauros são conhecidos como a primeira espécie vertebrada a conquistar o voo.

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