
Mais uma vez o Banco Regional de Brasília (BRB) está no epicentro de fraude financeira. Os alvos eram aposentados e pensionistas do Governo do Distrito Federal (GDF) que recebem suas pensões através do BRB. Na manhã desta terça-feira (23), a Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) agiu contra o mecanismo e deflagrou a Operação Parasitas, que já levantou um prejuízo que ultrapassa os R$ 5 milhões.
Este sistema foi desenhado com a finalidade de extrair pequenos valores mensais, a fim de ocultar no extrato bancário da vítima, o dinheiro retirado a “conta gotas“. A Coordenação de Repressão aos Crimes Contra o Consumidor, a Propriedade Imaterial e a Fraudes (Corf) que coordena a operação e cumpre sete mandados de prisão, três são do tipo preventivas e quatro são temporárias.
A PCDF desarticulou uma fraude milionária contra aposentados e pensionistas do BRB. O esquema usava falsas associações para descontos “invisíveis” de R$ 60, afetando mais de 3,5 mil correntistas e gerando prejuízo de R$ 5 milhões. Sete pessoas foram presas no DF e em MG. pic.twitter.com/f4FtGqGfIb
— iG (@iG) June 23, 2026
Mais dez ordens de busca e apreensão são realizados nesta manhã. A polícia foi distribuída por regiões administrativas do DF, como o Plano Piloto, Asa Sul, Asa Norte – centro de Brasília, e também Recanto das Emas, Brazlândia e Jardim Botânico. A Operação estendeu inclusive para cidades mineiras como Belo Horizonte e Igaratinga, locais que sediam as associações envolvidas.
O esquema do desconto invisível
Segundo as investigações da Corf, a fraude já acontecia há dois anos e firmava por meio de contratos falsos de filiação a associações de fachada e entidades de classe. Com os dados dos filiados em mãos, os golpistas conseguiam cadastravam valores baixos de débitos automáticos diretamente nas contas dos aposentados e pensionistas do GDF.
Por meio de nota oficial, a PCDF aponta que “as associações firmavam contratos para autorização de débitos automáticos sem comprovação adequada da manifestação de vontade dos beneficiários”. Na prática, os valores eram na casa dos R$ 60 e eram “descontados” mensalmente desses correntistas. Por serem valores baixos e a falta de costume de observar o contracheque, as retiradas foram desapercebidas por longo período.

Os golpistas agiam ainda com uma espécie de plano de contenção de crise. Para as vítimas que notaram os descontos e questionaram o BRB, só que servidores do banco apresentavam documentos “oficiais” falsos que continham transcrições de ligações telefônicas que nunca existiram para fazer entender que houve uma autorização do beneficiário, o que nunca existiu.
Até o momento foi levantado que mais de 3.500 contas bancárias foram fraudadas com esse golpe. Segundo últimas informações da PCDF, as investigações seguem com objetivo em descobrir como esses descontos eram processados de “forma limpa” dentro do BRB e ainda, será mapeada a participação dos servidores do BRB que mantinham o esquema de arrecadação girando.

O cerco ao BRB: tentáculos de investigações sacodem a instituição
Esta operação figura junto a uma sequência de investigações complexas que colocaram o BRB e parceiros no núcleo dos órgãos de controle do país. A instituição financeira virou o ponto comum de inquéritos que somam cifras bilionárias e prisões de membros da cúpula.
A primeira foi a Operação Compliance Zero da pela Polícia Federal, autorizada pelo Supremo Tribunal Federal (STF). O foco desta cai em cima da fraude de larga escala com desfalque de R$ 12,2 bilhões em transações de ativos e títulos falsos do BRB com o Banco Master.
Esta investigação cria corpo e corre a mais de seis meses, alcançando já a nona fase que acabou na prisão do ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa. Até o momento R$ 1,3 bilhão foram bloqueados sob bens e direitos de envolvidos, incluindo executivos financeiros e parlamentares.
Outra investigação foi deflagrada recentemente pelo pelo Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT): a Operação Juros Zero. Esta apura descontos irregulares no valor total de R$ 81,7 milhões – até o momento – que eram feitos diretamente na folha de pagamento de servidores do GDF. Essa ação realizou mandado de buscas e apreensão na sede do BRB e na fintech PicPay.
Somadas as três freninvestigações em cima do BRB, gera um saldo de mais de 10 prisões decretadas em diferentes fases, dezenas de mandados de busca e apreensão cumpridos pela PF e Polícias Civis, com um volume financeiro oriunde de frande que passa a marca de R$ 12,3 bilhões do rombo somente no Banco de Brasília.
