Caso rope jump: polícia indicia instrutores que lançaram a jovem

Maria Eduarda Rodrigues faleceu após saltar de rope jumpingReprodução/redes sociais

A Polícia Civil de São Paulo indiciou por homicídio com dolo eventual os três instrutores que lançaram a jovem de 21 anos, Maria Eduarda Rodrigues de Freitas, sem cordas durante o salto de rope jump.

O inquérito foi concluído nesta última segunda-feira (22) e afirma que os autores não têm a intenção direta de matar, mas assumiram o risco.

O crime foi registrado no dia 13 de junho na Ponte do Esqueleto, na divisa entre Limeira e Cordeirópolis, no interior de São Paulo.

Os três instrutores foram presos em flagrante logo após o ocorrido. Eles seguem presos preventivamente no Centro de Detenção Provisória (CDP) de Guarulhos. Os homens foram identificados como:

  • Luis Felipe Feliciano Egoroff, de 32 anos
  • Maicon Fernandes Cintra, de 42 anos
  • Vitor de Freitas Gonçalves, de 27 anos

Os três aparecem no vídeo que viralizou nas redes sociais. Eles carregam Maria Eduarda e a lançam da ponte.

Uma mulher morreu depois de ser jogada de rope jump sem a corda. A vítima caiu de uma altura de 40 metros na Ponte do Esqueleto, em Limeira, na manhã deste sábado (13). pic.twitter.com/odUfPszUu0

— iG (@iG) June 13, 2026

Em nota, a defesa de Vitor afirmou que o indiciamento foi elaborado com base em uma imputação coletiva, sem a devida individualização das condutas de cada investigado e sem comprovação objetiva da participação específica de Vitor nos fatos apurados.

Além disso, os advogados afirmam que o inquérito não aponta qualquer elemento capaz de demonstrar que Vitor tivesse responsabilidade pela instalação, conferência ou fiscalização dos equipamentos de segurança utilizados na atividade. Para eles, há a existência de um grave e lamentável erro operacional.

Veja nota na íntegra:

“A defesa de Vitor de Freitas Gonçalves recebeu com absoluta serenidade a conclusão do inquérito policial e discorda, de forma respeitosa, da imputação de homicídio doloso por dolo eventual atribuída ao seu constituído.

A análise dos elementos disponibilizados à defesa demonstra que o indiciamento foi construído a partir de uma imputação coletiva, sem a necessária individualização das condutas de cada investigado e sem a demonstração concreta da atuação específica de Vitor nos fatos apurados.

O próprio inquérito não aponta qualquer elemento capaz de demonstrar que Vitor tivesse responsabilidade pela instalação, conferência ou fiscalização dos equipamentos de segurança utilizados na atividade. Tampouco há demonstração de que ele tivesse conhecimento de eventual falha operacional e, mesmo assim, tivesse aceitado ou assumido o risco da produção do resultado morte.

No Direito Penal brasileiro, o dolo eventual não pode ser presumido a partir da gravidade do resultado. A sua configuração exige prova concreta de que o agente, ciente do risco, tenha efetivamente assumido a possibilidade de sua ocorrência. Essa demonstração simplesmente não foi produzida em relação a Vitor.

O que se verifica, em tese, é a existência de um grave e lamentável erro operacional, cuja extensão, origem, responsabilidade técnica e participação individual de cada envolvido ainda deverão ser submetidas ao contraditório e à ampla defesa durante a instrução processual.

A defesa reafirma seu profundo respeito à memória de Maria Eduarda Rodrigues de Freitas e à dor de seus familiares, mas também registra que a busca por justiça exige responsabilidade jurídica, individualização das condutas e observância das garantias fundamentais asseguradas pela Constituição Federal.

As medidas processuais cabíveis serão adotadas perante o Poder Judiciário nos próximos dias.”

O iG procurou a defesa de Luis Felipe Feliciano Egoroff e de Maicon Fernandes Cintra, mas, até o momento, não obteve retorno. O espaço segue aberto.

Outros presos

Além dos três instrutores, a Polícia Civil prendeu também outros três envolvidos. O mandado de prisão contra eles foi cumprido no último sábado (20).

Segundo a delegada do caso, Andréa Levy, as investigações apontam que os três presos integravam a equipe responsável pela organização e execução da atividade.

Além disso, também foram identificados indícios de que conteúdos digitais relevantes para o caso teriam sido excluídos após a ocorrência.

A polícia ainda busca localizar a câmera utilizada pela vítima no momento do salto. O aparelho é considerado um elemento importante para a reconstrução do ocorrido.

O caso

O acidente aconteceu no último dia 13 de junho, na região conhecida como Ponte do Esqueleto, na divisa entre Limeira e Cordeirópolis, no interior de São Paulo.

Maria Eduarda Rodrigues de Freitas morreu instantes após ser lançada a 40 metros de altura enquanto praticava rope jump, uma modalidade mais radical de salto em queda livre.

De acordo com informações preliminares da Polícia Militar (PM), houve falha no equipamento por parte das empresas responsáveis, que esqueceram de colocar uma corda de segurança antes da jovem saltar.

Vídeos que circularam nas redes sociais mostram o momento em que Maria Eduarda é posicionada para o salto. Segundos depois, testemunhas percebem que a corda de segurança não estava devidamente conectada e passam a gritar em desespero.

O caso segue sob investigação da Polícia Civil de São Paulo, que busca esclarecer as circunstâncias da morte de Maria Eduarda.

Segundo as investigações, o acidente aconteceu por erro operacional grave dos responsáveis técnicos. Seis pessoas que fazem da empresa responsável pelo salto foram presas, incluindo os três homens que aparecem carregando Maria Eduarda.

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