A consultoria Oxford Economics colocou o Brasil no topo da lista de preocupações fiscais entre as principais economias emergentes analisadas.
Em relatório, a instituição afirma que o país precisa gerar um superávit primário próximo de 3% do PIB para estabilizar a trajetória da dívida pública.
Ajuste considerado crítico
Esse patamar é considerado crítico porque, historicamente, ajustes fiscais dessa magnitude enfrentam forte resistência política e social. O estudo analisou 46 países e concluiu que um grupo crescente de economias está preso em ‘buracos fiscais’, exigindo anos de disciplina orçamentária para evitar o avanço do endividamento.
Para a Oxford Economics, o Brasil apresenta hoje o quadro mais desafiador entre os emergentes observados.
Desafio fiscal de longo prazo
A consultoria também avalia que o Brasil enfrenta um desafio fiscal de longo prazo e terá dificuldade para estabilizar sua dívida pública sem uma sequência prolongada de superávits primários. O relatório destaca que juros elevados, crescimento moderado e aumento das despesas públicas ampliam a pressão sobre as contas do governo.
Segundo a Oxford Economics, a experiência internacional mostra que poucos países conseguiram sustentar ajustes fiscais expressivos por muitos anos consecutivos.
Juros altos não forçaram mudanças estruturais
O estudo ressalta ainda que os altos juros cobrados pelo mercado não foram suficientes para forçar mudanças estruturais capazes de interromper o crescimento da dívida. A avaliação é que soluções rápidas são improváveis e que a consolidação fiscal dependerá de medidas permanentes e de forte compromisso político nos próximos anos.
O relatório serve de alerta para investidores e analistas que acompanham a trajetória das contas públicas brasileiras e reforça a necessidade de avanços concretos na agenda de ajuste fiscal.
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