Campinas tem ao menos 970 animais silvestres apreendidos em pouco mais de três anos; aves lideram ranking


Ave vítima de tráfico de animais silvestres é atendida pelo projeto Mata Ciliar, em Jundiaí
Reprodução/EPTV
Campinas (SP) registrou a apreensão de 976 animais silvestres entre janeiro de 2023 e abril de 2026, segundo dados da Polícia Militar Ambiental. O número coloca o município na liderança da região e evidencia a força do tráfico e da criação ilegal de animais silvestres.
Entre as espécies mais apreendidas na metrópole, o destaque é o pássaro trinca-ferro, com 172 registros no período. Na sequência, ainda de acordo com o levantamento, aparecem o galo-cinzento-indiano (103), o coleirinho (102), o gato-da-areia (70) e o gato doméstico (65).
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De acordo com a polícia, a maioria das aves apreendidas é formada por espécies de canto, que atraem traficantes e compradores devido ao valor comercial. Há casos em que os animais traficados vivem em condições precárias e que, após o resgate, dependem de recuperação.
“São animais que são bem visados no tráfico por sua beleza, pela coloração, pelo canto. Esses animais que têm esse canto mais chamativo, que são visualmente mais bonitos para esse pessoal, eles são mais visados”, explica a bióloga Giulia Verdini do projeto Mata Ciliar, em Jundiaí (SP).
Outras cidades também somam centenas de apreensões
Além de Campinas, outros municípios da região também apresentaram números expressivos de apreensões no período analisado:
Em Indaiatuba (SP), foram 254 animais apreendidos, com o azulão liderando a lista, com 53 registros;
Já em Sumaré (SP), foram 183 apreensões, e o canário-da-terra aparece no topo do ranking, com 36 animais.
Na segunda-feira (22), nove aves foram resgatadas durante uma fiscalização da Polícia Ambiental no Jardim Amanda, em Hortolândia (SP). O responsável pelo local foi multado em R$ 30,5 mil por maus-tratos e manutenção irregular de animais silvestres em cativeiro.
“O apoio da população é sempre de grande valia. É feita a denúncia e, ao verificar, muitas vezes nós encontramos algum local que está fazendo a criação e distribuição desses pássaros”, afirma a tenente da Polícia Militar Ambiental, Ray Dubois Gomes.
A Polícia Ambiental lembra que manter, comprar, vender ou transportar animais silvestres sem autorização é crime. As denúncias podem ser feitas pelo telefone 190, pelo Disque-Denúncia 181 e também pelos canais ambientais do Governo de São Paulo.
Aves chegam debilitadas
Depois de apreendidas, as aves são encaminhadas para a Associação Mata Ciliar, em Jundiaí (SP), onde passam por um período de quarentena, exames e reabilitação antes de serem devolvidas à natureza. De acordo com a bióloga, muitos animais chegam em condições precárias.
“Esses animais do tráfico chegam, normalmente, já em gaiolas muito sujas, com fezes, alimentação errada. Muitas vezes chegam sem alimentação também. Na maioria das vezes chegam com as asas todas quebradas”, afirma Giovana.
Algumas apresentam dificuldade até para voar e precisam de um longo período de recuperação para readquirir musculatura e aprender novamente a buscar alimento. “Aqueles indivíduos que têm menos tempo em gaiola vão ser reabilitados mais rápido e vão responder aos estímulos mais rapidamente”.
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