
Hospital Municipal Doutor Mário Gatti tem fila com 2.467 pacientes à espera de cirurgia
Reprodução/EPTV
O Ministério Público de São Paulo (MPSP) entrou com uma ação civil pública no Tribunal de Justiça para obrigar a Prefeitura de Campinas (SP) e o governo do Estado a adotarem medidas para reduzir a fila de cirurgias ortopédicas eletivas no SUS.
Segundo a ação, há 4.622 pacientes à espera do procedimento na cidade, sendo que alguns aguardam desde 2014. O órgão pede, entre outras medidas, a apresentação de um plano emergencial, a definição de prazos máximos para atendimento e a criação de um sistema de consulta pública da fila.
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A promotoria também prevê que, caso as medidas não sejam cumpridas, os órgãos sejam punidos com multa diária em valores a serem revertidos ao Fundo Municipal de Saúde, além do bloqueio de verbas públicas para custear os procedimentos dos pacientes na rede privada.
O g1 entrou em contato com as secretarias estadual e municipal de Saúde, além do Hospital da PUC-Campinas e, até a última atualização desta reportagem, não havia obtido resposta.
Quase mil pessoas entraram na fila em três anos
Na ação, o promotor Daniel Zulian aponta que, em setembro de 2023, os hospitais da cidade registravam 3.629 pacientes à espera de cirurgia ortopédica, sendo:
1.916 no Hospital Doutor Mário Gatti
1.701 no Hospital da PUC-Campinas
112 no Hospital Ouro Verde
Recentemente, em abril de 2026, houve uma piora significativa na fila, com aumento de 27,4%, chegando a 4.622 pacientes aguardando cirurgia. Desses:
2.467 no Hospital Doutor Mário Gatti
1.886 no Hospital da PUC-Campinas
269 no Hospital Ouro Verde
O documento cita a existência de pacientes que aguardam por cirurgias ortopédicas desde o ano de 2014, isto é, são pessoas que estão na fila há, aproximadamente, 12 anos. O cenário caracteriza o que o MPSP chama de “espera crônica” e “falha sistêmica grave” no atendimento à saúde.
O que pede o Ministério Público
O MPSP pede que TJSP obrigue o município e o estado a apresentar, em até 45 dias, um plano emergencial conjunto que inclua:
Cronograma prioritário: atendimento em até 30 dias para quem espera há 48 meses ou mais, e em até 90 dias para quem espera há 20 meses ou mais.
Aumento da produção: medidas para incrementar o número de cirurgias mensais, incluindo mutirões e contratação de serviços privados, se necessário.
Prazo máximo de espera: fixação de, no máximo, 20 meses para a realização de cirurgias em casos futuros.
Transparência da fila: implementação, em até 90 dias, de um sistema público onde o paciente possa consultar sua posição individual e o tempo médio de espera.
Ao final do processo, o MPSP pede a condenação solidária dos réus para:
Elaboração de um Plano Estrutural: apresentação, em 60 dias, de um diagnóstico detalhado da rede e metas mensais de redução da fila.
Metas de redução: garantia de que a produção cirúrgica supere o ingresso de novos pacientes, eliminando o represamento atual.
Monitoramento Judicial: apresentação de relatórios semestrais à Justiça e participação em audiências de acompanhamento para fiscalizar o cumprimento das metas.
O que dizem os citados
O g1 entrou em contato com as secretarias estadual e municipal de Saúde, além do Hospital da PUC-Campinas e, até a última atualização desta reportagem, não havia obtido resposta.
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