
Jaques Wagner (PT-BA) não é mais o líder do governo no Senado.
O senador esperou para fazer o anúncio faltando poucos minutos para o Brasil entrar em campo contra a Escócia pela terceira rodada da primeira fase da Copa do Mundo.
A estratégia era clara. A cada gol de Vini Jr,. os que valeram e o que não valeu, só se falava de outra coisa no Brasil.
Lula, que marcou a reunião com o ex-ministro em horário providencial, ganhou ainda o reforço de Michelle Bolsonaro, que quase ao mesmo tempo decidiu implodir a candidatura do enteado, Flávio Bolsonaro.
Wagner ficou sem condições de falar em nome do governo enquanto seu nome é citado nas investigações do caso Master. Ele é suspeito de atuar para favorecer o banco de Daniel Vorcaro em troca de empréstimos camaradas.
Ele nega, mas precisa agora se defender sozinho, sem arrastar o governo para uma crise que até agora só havia arrastado nomes da extrema-direita.
A decisão de Lula é mais um ponto de tensão aberto com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil), um dos primeiros a sair em defesa do colega, com quem tem boas relações.
Pudera: o próximo na fila é ele mesmo.
O espírito de corpo, nessas horas, fala mais alto, e é preciso muita ingenuidade para acreditar que as desavenças entre Alcolumbre e o Planalto se resumem a discordâncias sobre propostas de governo.
A arma de Alcolumbre é o controle da agenda das votações de projetos-chave para Lula em ano eleitoral. Ele recebeu há um mês da Câmara o projeto que prevê o fim da escala 6 por 1. Até agora não moveu uma palha para votar a proposta. Não há sinais de que moverá.
A bomba ficará na mão do próximo líder do governo.
Wagner estará ocupado com outros outros planos. Salvar a própria pele.
