
Poucas horas depois do senador Jaques Wagner (PT) deixar a liderança do governo no Senado Federal, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) anunciou, no final da manhã desta quinta-feira (25), a nova ocupante do cargo: a senadora Teresa Leitão (PT). O anúncio oficial foi feito nas redes sociais do chefe do Executivo,às 11h12, como uma resposta rápida política para ocupar a vaga estratégica de articulação política do Palácio do Planalto no Poder Legislativo.

Conforme consta no anúncio presidencial, a parlamentar pernambucana é agora a responsável direta dentro do Senado por desbloquear e coordenar a votação de matérias consideradas prioritárias para o governo federal.
Pautas destacadas pelo próprio Lula são os principais alvos de Teresa Leitão como: Proposta de Emenda à Constituição (PEC) dobre o fim da escala de trabalho 6×1 e a PEC da Segurança Pública, aguardam aprovações da Casa.
Quem é Teresa Leitão
Pernambucana, professora da rede pública de ensino, Maria Teresa Leitão de Melo tem 74 anos e sua trajetória é diretamente ligada ao funcionalismo público e os movimentos sociais.
Ela é natural da capital Recife e é formada em pedagogia, atuando por décadas como professora. A vida pública aconteceu pelas portas do sindicalismo, chegando a ocupar a cadeira de presidente, em 1993, no Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Pernambuco (Sintepe).

Filiada ao Partido dos Trabalhadores (PT), Teresa Leitão teve cinco mandatos consecutivos como deputada estadual de Pernambuco (PE), entre 2003 a 2023.
Ela entrou na cena nacional nas últimas eleições, em 2022, sendo a primeira mulher eleita de PE como senadora. A parlamentar foi eleita com o montante de 2 milhões de votos. Além de senadora da República, ela é presidente da Comissão de Educação e Cultura do Senado.
Com a liderança de Teresa Leitão no Senado, o governo federal reposiciona peças fundamentais no tabuleiro da articulação no Congresso Nacional e fixa nova tríade: o deputado Paulo Pimenta (PT) na liderança da Câmara e o senador Randolfe Rodrigues (PT) como líder no Congresso.
Jaques Wagner deixa liderança devido investigações
A troca da liderança ocorreu em “comum acordo”, segundo a versão oficial, sendo impulsionada pelo envolvimento do até então líder do governo em crimes investigados pela Polícia Federal (PF) que orbitam os desdobramentos do Caso Master.
O senador Jaques Wagner é suspeito de crimes como corrupção, lavagem de dinheiro e fraudes financeiras ligadas ao Banco Master.
Ele foi alvo da nona fase da Operação Compliance Zero foi deflagrada na última quinta-feira (18), a mando do Supremo Tribunal Federal (STF).

Até o momento, as investigações da PF apontam recebimentos suspeitos de vantagens indevidas por parte de Wagner, como utilização de aeronaves privadas e a compra de um apartamento de luxo em Salvador, capital baiana, com valor estimado em R$ 3,5 milhões.
O parlamentar se pronunciou oficialmente por meio de nota e negou todas as acusações e garantiu que o relacionamento com os banqueiros envolvidos é inexistente – Daniel Vorcaro dono no Banco Master e Augusto Lima ex-sócio do Master e dono do Banco Pleno.
Wagner afirma ainda que sua atuação parlamentar sempre foi contrária aos interesses de instituições financeiras.
A defesa de Jaques Wagner acionou o STF na última segunda (22), pedindo a os mandados de busca fossem anulados, sob a justificativa de que não há fundamentação jurídica para as buscas da PF.
O parlamentar deixou o cargo na quarta (24), afirmando que sua saída é para priorizar sua defesa técnica e também para se dedicar às articulações para as eleições.
