Após alerta do ChatGPT, FBI avisou polícia brasileira sobre plano de pai matar filho para não pagar pensão no ES


Pai é preso no Espírito Santo após revelar intenção de matar filho ao ChatGPT
Um homem de 36 anos que planejava matar o filho de 8 anos no Espírito Santo foi preso após a empresa responsável pelo ChatGPT enviar um alerta sobre os planos do homem ao FBI, a polícia federal dos Estados Unidos.
Segundo as investigações, o suspeito utilizava a ferramenta de inteligência artificial como um diário e, nas mensagens enviadas ao chat, desabafava sobre seus desejos de cometer crimes. Clique aqui e veja as mensagens enviadas pelo pai ao ChatGPT.
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O titular da Delegacia de Crimes Cibernéticos, delegado Breno Andrade, explicou como o caso chegou às autoridades capixabas em entrevista ao Bom Dia ES (TV Gazeta) desta sexta-feira (26).
“A empresa americana OpenAI, dona do ChatGPT, encaminhou para o FBI uma informação dando conta de que o indivíduo estava fazendo pesquisas de forma constante contra o próprio filho. Ou seja, na intenção, de praticar um homicídio contra o próprio filho.”
Após ser alertado sobre o conteúdo, o FBI repassou as informações ao Ciberlab, Laboratório de Operações Cibernéticas do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP). O órgão brasileiro, enfim, comunicou a Polícia Civil do Espírito Santo.
As investigações mostraram que a motivação para a encomenda da morte do próprio filho estaria relacionado à cobrança de pensão alímentícia. O homem tinha o receio de que, na sua ausência, a ex-companheira e mãe da criança cobrasse a avó paterna.
A reportagem teve acesso a algumas mensagens enviadas pelo homem ao ChatGPT. Em um trecho, ele escreveu que tentou contratar um pistoleiro por R$ 50 mil para cometer o assassinato. O criminoso que recebeu a oferta, no entanto, teria se recusado ao descobrir que a vítima seria uma criança.
Pai que planejava matar o filho no Espírito Santo disse ao ChatGPT que ofereceu R$ 50 mil a pistoleiro
Reprodução/PCES
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A partir dos dados encaminhados pelo FBI, os investigadores capixabas identificaram o suspeito, confirmaram que ele tinha um filho e pediram à Justiça mandados de busca e apreensão e de prisão preventiva.
O homem, que é agricultor, negou aos policiais que tivesse intenção de matar o filho, mas, para o delegado, as provas técnicas são determinantes.
“Ele confessou as pesquisas, mas negou a intenção de praticar os atos. O fato de negar para a polícia não faz diferença. […] A gente vai agora comparar esses dados que ele digitou na inteligência artificial com a extração e análise dos materiais periciais no telefone celular dele para verificar o que ele já tinha efetivado ou não”, contou Breno Andrade sobre os próximos passos da investigação.
Prisão um dia antes do crime
O suspeito, que não teve a identidade divulgada, foi preso em São Gabriel da Palha, no Noroeste do Espírito Santo, no último dia 19, um dia antes da data em que planejava cometer o crime, segundo o delegado adjunto da Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes Cibernéticos (DRCC), Ícaro Olimpio.
Veja mensagens enviadas por pai ao ChatGPT enquanto planejava matar o filho de 8 anos no Espírito Santo
Reprodução/PCES
“Esse indivíduo falou que esses atos gravíssimos de extrema violência, seriam realizados no dia 20 de junho. E nós atuamos aí de forma séria. Nós recebemos essa denúncia no dia 16 e no dia 19 nós cumprimos e evitamos que um mal maior ocorresse”, contou o delegado.
Segundo a polícia, o agricultor também relatou que estaria na posse de uma arma, corda e cianeto (veneno que interfere severamente no funcionamento do organismo).
O homem ainda desabafou sobre o desejo de realizar ataques contra policiais e atentados em locais públicos, como igrejas e escolas. Em um trecho das conversas com a ferramenta de inteligência artificial, ele escreveu:
“Essa semana pensei em pegar a arma e matar uns dois policiais perto do batalhão”.
Em outro momento, afirmou que “queria saber de onde vem essa vontade de matar as pessoas. Eu gosto de ver outra pessoa sofrer”.
O agricultor ainda teria realizado diversas pesquisas sobre substâncias altamente tóxicas e feito perguntas relacionadas à obtenção de venenos, além de buscar informações sobre seus efeitos no organismo.
Material apreendido com homem preso por planejar morte do filho no Espírito Santo.
Reprodução/PCES
3° caso do tipo registrado no Brasil
Segundo o delegado Breno Andrade, esta é a primeira investigação no Espírito Santo iniciada após comunicações feitas por uma plataforma de inteligência artificial às autoridades e, conforme o Laboratório de Operações Cibernéticas do Ministério da Justiça, é apenas o terceiro caso do tipo registrado no Brasil.
“No Espírito Santo, podemos afirmar que é um caso inédito. Fomos informados que seria apenas o terceiro caso no Brasil em que houve essa comunicação. Aqui, foi considerado o mais grave por causa da constância das pesquisas e do risco de que as ameaças fossem concretizadas”, falou Breno Andrade.
O caso, para o delegado, reforça o acordo de cooperação que existe entre o FBI e os policiais brasileiros. Segundo ele, há pelo menos 8 anos há registros de ações exitosas em função deste apoio mútuo.
Para Andrade, mensagens enviadas pelo própio pai à inteligência artificial são muito graves. “É lamentável que um pai queira atentar contra a vida de um filho de apenas 8 anos”, disse o delegado.
Ele também ressaltou que o inquérito ainda não foi concluído e que a perícia no celular do investigado poderá ampliar os crimes atribuídos a ele.
“A gente estuda a possibilidade dos mais variados crimes, como tentativa de homicídio, ameaça, incitação ao crime e apologia ao crime. Só ao final da investigação, inclusive com a perícia do telefone celular, vamos conseguir consolidar todos os crimes que ele praticou”.
Veja mensagens enviadas por pai ao ChatGPT enquanto planejava matar o filho de 8 anos no Espírito Santo
Reprodução/PCES
Veja mensagens enviadas por pai ao ChatGPT enquanto planejava matar o filho de 8 anos
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