
Porto Alegre viveu horas de tensão após registrar seis assassinatos em menos de um dia. Diante da sequência de crimes, a Polícia Civil e a Brigada Militar acionaram um protocolo especial de enfrentamento aos homicídios e intensificaram as operações em diferentes regiões da cidade.
A primeira fase da resposta das forças de segurança foi colocada em prática na noite desta sexta-feira (26), com ações ostensivas nas ruas e reforço do policiamento em áreas consideradas estratégicas.
Ataques deixaram mortos em diferentes bairros
Um dos episódios que motivaram a mobilização ocorreu no bairro Mário Quintana, na Zona Norte da capital. No local, três pessoas foram baleadas na noite de quinta-feira (25): o adolescente João Vittor Veiga Silveira, de 16 anos, e dois homens, de 19 e 22 anos.
O jovem e um dos adultos não resistiram aos ferimentos. Imagens de câmeras de monitoramento mostram criminosos chegando de carro e efetuando diversos disparos antes de fugir.

Poucas horas depois, outro ataque violento foi registrado no bairro Passo das Pedras, também na Zona Norte. Dois homens e uma mulher foram executados dentro de uma residência.
Já na tarde de sexta-feira, Eduarda da Graça Machado foi morta a tiros em frente à própria casa, na Praça Doutor Baltazar de Bem, no bairro Vila Jardim, Zona Leste da cidade. Segundo informações preliminares, dois suspeitos em uma motocicleta passaram pelo local e dispararam diversas vezes contra a vítima, que morreu antes da chegada do socorro.
Investigação apura possível guerra entre facções
Segundo informações do jornal GZH, as autoridades investigam se cinco dos seis homicídios têm relação com disputas entre grupos criminosos ligados ao tráfico de drogas.
A principal linha investigativa aponta que a sequência de ataques pode ter começado após um duplo homicídio ocorrido no bairro Cristal, na Zona Sul, na última terça-feira (23). Conforme informações da Brigada Militar, uma das vítimas era familiar de uma liderança do tráfico na Vila Cruzeiro.
A suspeita é que esse crime tenha desencadeado uma série de represálias, começando pelo ataque no Mário Quintana e culminando nas execuções registradas no Passo das Pedras.
No caso da morte de Eduarda da Graça Machado, a Brigada Militar afirma que, até o momento, não existem elementos suficientes para relacionar o crime aos demais episódios. A Polícia Civil, entretanto, ressalta que ainda é cedo para descartar qualquer conexão entre os casos.
Protocolo prevê ações dentro e fora dos presídios
Além do aumento do policiamento nas ruas, o protocolo acionado pelas forças de segurança prevê medidas para identificar e responsabilizar os mandantes dos crimes.
Entre as ações previstas estão revistas em unidades prisionais, transferência de lideranças criminosas para outras penitenciárias e operações integradas entre as polícias.
O Comando de Policiamento da Capital informou que o reforço policial permanecerá, por tempo indeterminado, nas regiões onde ocorreram os assassinatos.
As investigações estão sob responsabilidade da 5ª e da 6ª Delegacias de Homicídios de Porto Alegre.
Em nota, a Secretaria da Segurança Pública (SSP) informou que ainda não é possível confirmar se todos os casos possuem ligação direta, mas destacou que as apurações seguem em andamento e que o policiamento foi ampliado, inclusive com apoio aéreo.
