
Imagens mostram tatuagem no braço do homem investigado por estelionato em Franca (SP)
Arquivo pessoal
Imagens obtidas pelo g1 mostram a tatuagem que entregou o passado do suspeito de aplicar o “golpe do amor” em uma moradora de Franca (SP).
A auxiliar de laboratório de 36 anos denunciou o namorado à Polícia Civil relatando ter tido um prejuízo de R$ 15 mil em empréstimos e pagamentos feitos em benefício de Thiago Cristiano Boch, que não foi mais encontrado pessoalmente depois que ela descobriu que ele já havia respondido por golpes em outros estados.
Isso ocorreu quando ela identificou a palavra “Boch” em evidência no braço do investigado (veja as fotos ao longo desta reportagem), juntou com o primeiro nome do suspeito e fez uma busca na internet.
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“Peguei e joguei Thiago Boch no Google e já veio direto as reportagens que tinha, mais de 20 casos de estelionato contra mulheres em Minas Gerais, na Paraíba”, conta.
Em Franca, Boch também é investigado por estelionato.
🔎 Segundo o Código Penal brasileiro, o crime de estelionato ocorre quando uma pessoa obtém vantagem ilícita para si mesma ou para outra, causando prejuízo a alguém e induzindo a vítima a erro por meio de fraude. A pena prevista é de um a cinco anos de detenção e multa.
Tatuagem no braço a ajudou a descobrir que foi vítima de ‘golpe do amor’
O g1 entrou em contato com Thiago Cristiano Boch por telefone e mensagens pelo celular, mas não obteve uma resposta até a última atualização desta reportagem.
A descoberta no braço
O suspeito sempre evitou revelar o sobrenome completo durante o relacionamento. A situação mudou no dia 16 de junho, durante uma viagem do casal ao Paraná.
Após um almoço com o companheiro e o pai do investigado, a vítima notou um nome tatuado no braço do homem enquanto os dois conversavam no terraço do hotel.
A auxiliar de laboratório relata que já havia reparado nos desenhos antes, mas nunca tinha prestado atenção aos detalhes escritos.
Ao perguntar sobre a homenagem, a vítima ouviu do homem que o nome completo era do pai do investigado. A mulher então decorou as palavras para pesquisar na internet depois.
“Eu sempre vi as tatuagens dele, mas nunca tinha lido. Eu falei pra ele de quem era o nome, e ele falou que era do pai. Ele nunca quis me passar o nome completo. Eu tentei de várias formas conseguir e não conseguia. E aí decorei o nome da tatuagem”, conta a vítima.
Tatuagem no braço do suspeito traz o nome do pai, Odacir Boch. A partir da leitura do sobrenome tatuado no braço, mulher pesquisou o histórico do namorado na internet e descobriu uma série de crimes
Arquivo pessoal
Imagem mostra Thiago abraçado com a vítima em Franca (SP) e detalhe no braço exibe a tatuagem com o sobrenome ‘Boch’
Arquivo pessoal
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O golpe e o prejuízo
Segundo o boletim de ocorrência, a auxiliar de laboratório conheceu o homem por um aplicativo de relacionamento e os dois começaram a namorar em abril. Com o tempo, o investigado ganhou a confiança da mulher e passou a pedir dinheiro.
A vítima emprestou quantias guardadas para uma viagem e chegou a alugar um veículo para o namorado trabalhar como motorista de aplicativo. A promessa era de devolução total dos valores assim que o suspeito recebesse o dinheiro da venda de uma casa da família.
A desconfiança ficou evidente durante a viagem ao interior do Paraná, no início de junho. A mulher relata que o investigado caiu em contradição diversas vezes e começou a apresentar um comportamento estranho, fazendo pagamentos com o cartão da companheira e pedindo mais dinheiro emprestado.
Dinheiro levado após ida ao bar
A situação se agravou na noite de 12 de junho. A vítima relata que o namorado insistiu para que ela consumisse bebida alcoólica em um bar e a deixou sozinha no hotel durante a madrugada.
“Conforme ia acabando o copo, ele ia repondo. Eu cheguei a ficar muito tonta no barzinho e, depois, na hora que fomos embora, ele falou que iria em algum lugar e voltava. Eu subi para o quarto, passei muito mal, fazia videochamada para ele e ele falava que já estava chegando. Ele demorou muito tempo, chegou umas 3h45 da manhã”, detalha.
No dia seguinte, ao abrir o aplicativo do banco, a mulher notou a ausência de R$ 5 mil e a existência de outros gastos debitados na conta. O investigado conhecia a senha do celular, o que permitiu o acesso direto aos dados financeiros.
Apesar do sumiço do dinheiro, a vítima manteve a viagem por mais alguns dias, até o momento em que leu a tatuagem, confirmou as suspeitas e procurou a polícia.
Histórico de crimes em quatro estados
Após pesquisar o sobrenome na internet, a vítima descobriu que Thiago acumula uma ficha criminal extensa. O homem já teve o nome ligado a investigações e processos judiciais em vários estados e por diferentes crimes.
Em Minas Gerais, no ano de 2022, a Justiça de Contagem condenou o suspeito por estelionato em um crime semelhante ao golpe aplicado em Franca.
A sentença cita abuso de confiança com prejuízo financeiro. A pena de prisão foi substituída por prestação de serviços e pagamento de indenização de R$ 4,7 mil à vítima.
Na Paraíba, o histórico aponta uma prisão ocorrida em 2018. O suspeito era investigado por fazer vítimas nas cidades de João Pessoa e Campina Grande.
A denúncia aponta que o homem vendeu o carro de uma ex-namorada em um aplicativo de vendas on-line e sumiu com o veículo e com cerca de R$ 6 mil pagos pelos compradores. O caso resultou em condenação em 2019.
Já no Paraná, estado de origem do investigado, houve condenação em 2010 pelos crimes de receptação e circulação de moeda falsa. As penas impostas foram cumpridas.
Em São Paulo, Thiago também responde a processos. Em 2022, o homem foi denunciado por estelionato por um casal em Itu (SP). O suspeito pegou o carro das vítimas e vendeu a outro casal de Sorocaba (SP) por R$ 10 mil, sem que os donos soubessem.
A Justiça o condenou a um ano e seis meses de reclusão em regime aberto. Já na capital paulista, existe uma ação na qual uma mulher pediu indenização de R$ 26,2 mil por danos morais e materiais, mas o réu não foi localizado para ser citado pela Justiça.
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