O Leaders Connection, apresentado por Isaon Oliveira, reuniu empreendedores e executivos de diferentes setores para discutir os desafios de construir empresas capazes de crescer, sustentar reputação e manter consistência operacional. Ao longo do programa, os convidados abordaram temas como escala, posicionamento, tecnologia, cultura organizacional, experiência do cliente e execução.
A conversa mostrou que a liderança empresarial exige mais do que crescimento acelerado. Em negócios digitais, serviços tradicionais, saúde, mobilidade urbana e mercado financeiro, a capacidade de definir prioridades, tomar decisões difíceis e manter coerência entre discurso e prática aparece como fator determinante para gerar valor no longo prazo.
“Estratégia não é seguir o dinheiro, isso é oportunidade. Estratégia é você saber exatamente aonde você quer chegar e você definir as condições satisfatórias de quando você quer chegar lá”, afirma Alfredo Soares.
Escala exige renúncia e visão de longo prazo
Para Alfredo Soares, integrante do board da VTEX e sócio da G4 Educação, muitos empreendedores se perdem diante do excesso de informação e demoram a transformar aprendizado em ação. Segundo ele, crescer exige compreender canais de distribuição, comportamento do cliente e presença consistente nos momentos de decisão de consumo.
O empresário citou o caso da G4 Educação, que abriu mão de uma unidade de treinamentos in company mesmo sendo lucrativa. A decisão, segundo ele, foi tomada porque o negócio consumia agenda, exigia capital intensivo e não estava alinhado ao cliente central da companhia.
“O crescer rápido, distorcer o tempo, exige também um preço a ser pago com margem, com uma série de coisas ali que acontecem no meio do caminho”, analisa Alfredo Soares.
Posicionamento transforma serviços em plataformas de negócio
A trajetória de Natália Martins reforça a importância do posicionamento na criação de valor. Ao estruturar um ecossistema a partir do setor de estética, a empreendedora buscou transformar um serviço tradicional em uma marca com comunicação própria, experiência de cliente, formação profissional e expansão para novas frentes de receita.
Segundo ela, o diferencial competitivo veio da capacidade de olhar para um mercado considerado comum com visão empresarial. A executiva afirmou que estudar consumo, observar clientes e aplicar rapidamente aprendizados foram etapas decisivas para construir uma operação replicável e com identidade clara.
“Então eu venho de um procedimento que já era commodity, mas todo mundo vendia igual”, diz Natália Martins.
Setores tradicionais também dependem de tecnologia
Na discussão sobre economia real, Ana Paula Dávila, CEO da Max Park Estacionamentos, destacou que atividades tradicionais passaram a ocupar papel estratégico nas cidades. Para ela, o estacionamento deixou de ser apenas um serviço de apoio e passou a integrar a lógica da mobilidade urbana, especialmente diante do aumento da frota, da limitação do transporte público e da necessidade de organizar fluxos nos grandes centros.
A executiva avaliou que negócios como estacionamentos e lavanderias ainda são pouco associados à inovação, embora dependam cada vez mais de tecnologia, dados, atendimento e gestão de processos. Essa combinação mostra que segmentos considerados pouco glamorosos também podem ter alto grau de inteligência operacional.
“A gente trabalha em setores muito tradicionais e a gente realmente fala que não tem glamour”, observa Ana Paula Dávila.
Confiança e humanização ganham peso no mercado financeiro
No mercado financeiro, Adriana Hit, fundadora da SHS Investimentos, afirmou que gestão de patrimônio envolve decisões que afetam famílias, empresas e legados. Para ela, o setor não pode ser reduzido a números, rentabilidade ou produtos, porque a relação com o cliente passa por confiança, escuta e responsabilidade.
A empresária também destacou que a humanização deve alcançar o time interno. Em sua avaliação, profissionais que lidam diariamente com pressão de mercado, cobrança por resultado e situações sensíveis dos clientes precisam de equilíbrio emocional para sustentar uma relação de longo prazo.
“Nós não cuidamos apenas de números, nós cuidamos de vidas, nós cuidamos de famílias, nós cuidamos de patrimônios”, ressalta Adriana Hit.
Reputação influencia percepção, crescimento e valor
Para Fabrício Guerato, fundador da Guerato Press, comunicação e reputação devem ser tratadas como parte da estratégia das empresas. Segundo ele, líderes e companhias que não constroem autoridade pública correm o risco de perder espaço, mesmo quando têm produtos consistentes ou trajetórias relevantes.
A avaliação conecta posicionamento à geração de negócios, abertura de portas comerciais e percepção de valor. Na visão do executivo, a comunicação precisa ser entendida como investimento quando contribui para fortalecer confiança, ampliar alcance e sustentar crescimento.
“O mais conhecido vence o melhor. E hoje o que manda é reputação, é autoridade”, avalia Fabrício Guerato.
Tecnologia precisa de processo, dados e pessoas
No setor de saúde, Valda Stenge, à frente da Topmed, afirmou que a tecnologia deve ser vista como meio para ampliar acesso, personalização e cuidado. A executiva destacou que telemedicina, inteligência artificial e dados estruturados só geram resultado quando estão inseridos em processos sólidos e conectados a um objetivo claro.
Para ela, empresas que tratam tecnologia como solução isolada tendem a crescer sem sustentação. O desafio está em combinar inovação, leitura correta da base atendida, qualidade da informação e presença humana na jornada do paciente.
“Tecnologia não funciona, é ferramenta”, explica Valda Stenge.
Cultura e execução definem a liderança do futuro
O debate também mostrou que cultura organizacional depende de convivência, coerência e acompanhamento constante. Os entrevistados relacionaram liderança à capacidade de formar times, preservar valores, ouvir clientes e ajustar rotas antes que problemas operacionais comprometam a entrega.
A síntese do episódio aponta para um ambiente empresarial em que reputação, tecnologia e escala precisam estar subordinadas à execução. Para líderes, investidores e empresários, a mensagem central é que empresas duradouras não se constroem apenas com crescimento rápido, mas com clareza estratégica, processos consistentes, posicionamento público e capacidade de transformar decisões em resultado.
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