
Aos 50 minutos do segundo tempo, em um jogo sofrido e emocionante, Gabriel Martinelli fez o gol que classificou o Brasil na Copa. O Japão ficou pra trás. Que venham as oitavas de final.
O relógio passa em um tempo que só a Copa do Mundo tem. Minutos infinitos, que terminam quando a esperança ganha o som de um grito de gol nos acréscimos. Era tudo verdade e quem viveu, pode contar. O dia em que a Seleção flertou com a pior campanha em uma Copa em 36 anos terminou em êxtase total.
“Um jogo muito difícil, muito truncado, onde eles queriam só o contra-ataque, se defender”, diz Bruno Guimarães, meio-campo da Seleção.
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O Japão, bem postado, dava pouco espaço. Mesmo assim, o Brasil controlava o jogo e criava chances. Como um chute do Matheus Cunha no cantinho, obrigando o goleiro Suzuki a fazer uma boa defesa. Mas, em uma saída de bola errada de Danilo, Sano recuperou a bola. Casemiro, que já tinha levado um cartão amarelo, não parou a jogada, e o chute do japonês foi certeiro. Danilo, cabisbaixo, lamentou bastante o erro que deixou a Seleção atrás do placar.
Brasil comemora a classificação para as oitavas da Copa após vitória sobre o Japão
Jornal Nacional/ Reprodução
E o Brasil, baqueado, perdeu um pouco o controle do jogo. Perdeu também Lucas Paquetá, que saiu para o intervalo mancando, amparado por Neymar. Na volta para o segundo tempo, Endrick foi a escolha de Ancelotti para substitui-lo, deixando a equipe mais ofensiva. Bruno Guimarães quase empatou de cabeça, mas Suzuki salvou. E em um lance inacreditável, Casemiro, de peixinho, não deixou tudo igual porque Tomiyasu tirou em cima da linha.
O gol brasileiro estava perto, e do cruzamento perfeito de Gabriel Magalhães, dessa vez Casemiro testou para o fundo das redes: 1 a 1 em Houston. Dois minutos depois, Vini Jr. quase fez um gol antológico. Caneta de primeira em Tomiyasu, drible desconcertante em Sano e um chute que Suzuki salvou com a ponta dos dedos. O melhor jogador do Brasil nessa Copa merecia, que pecado. Suzuki ficou olhando, torcendo para a bola não entrar e ela não entrou.
Aos 21 minutos, uma mudança que seria decisiva: Gabriel Martinelli entrou no lugar de Matheus Cunha. A Seleção pressionava pela virada. O jogo se encaminhava para a prorrogação, mas o brasileiro não desiste nunca. Nos acréscimos, Rayan roubou a bola no ataque e Bruno Guimarães achou mais um passe perfeito: Martinelli, o gol da classificação.
“Não tem nem palavras para descrever a alegria que está no meu coração agora de ver todo o povo brasileiro feliz com a classificação. Não tem nem como eu explicar o que eu estou sentindo agora. Acho que a ficha só vai cair daqui um tempo”, diz Gabriel Martinelli, atacante da Seleção.
‘Não tenho palavras para descrever a alegria de ver o povo brasileiro feliz’, diz Martinelli após gol da classificação para as oitavas
Jornal Nacional/ Reprodução
Assim como o Japão não conseguiu segurar o resultado, a torcedora não segurou as lágrimas. Não será dessa vez que os japoneses avançarão em um jogo eliminatório de Copa pela primeira vez, porque do outro lado havia uma seleção que não tem o hábito de voltar cedo para casa.
A primeira vitória de virada em 16 jogos sob o comando de Carlo Ancelotti veio no momento mais necessário e em uma data que não poderia ser mais simbólica: 29 de junho. Dia do primeiro título mundial, o de 1958, conquistado em uma virada sobre a Suécia. Uma coincidência para continuar acreditando.
Em Houston, a cidade onde são treinados os astronautas americanos, o Brasil segue em busca da sua sexta estrela.
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