Arara-azul volta à lista de espécies ameaçadas de extinção

Entre as espécies que passaram a integrar a lista está a arara-azul-grande, agora reclassificada como Vulnerável (VU) Roberta Kraemer/Instituto Arara Azul

A arara-azul-grande voltou a integrar a Lista Nacional Oficial de Espécies da Fauna Ameaçadas de Extinção, atualizada pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) neste mês de junho. Depois de permanecer cerca de 12 anos fora da relação, a ave passou a ser classificada novamente como Vulnerável (VU), categoria que reúne espécies sob risco de desaparecer da natureza caso as ameaças à sobrevivência continuem.

A atualização foi publicada no Diário Oficial da União e faz parte de um amplo levantamento coordenado pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). A nova lista reúne 790 espécies ou subespécies ameaçadas e nove consideradas extintas no Brasil.

Embora a volta da arara-azul à lista possa causar preocupação, o Ministério do Meio Ambiente explica que a revisão leva em conta novas informações científicas, reavaliações técnicas e mudanças no estado de conservação das espécies.

Por que a arara-azul voltou para a lista

A arara-azul-grande figurou entre os animais ameaçados nas décadas de 1980 e 1990, quando sofreu forte redução populacional devido à destruição do habitat, à captura ilegal para o tráfico de animais silvestres e à caça das penas para acessórios e roupas.

Após anos de projetos de conservação, reprodução e monitoramento, a espécie apresentou recuperação suficiente para deixar a lista oficial em 2014.

Agora, na atualização divulgada pelo governo federal, ela retorna à relação nacional na categoria Vulnerável. Segundo o MMA, a nova classificação é resultado das avaliações mais recentes conduzidas pelo ICMBio, que analisam critérios como tamanho da população, distribuição geográfica, perda de habitat, tendências populacionais e outras ameaças que podem comprometer a sobrevivência da espécie.

Além da arara-azul, também passaram a integrar a lista o bugio-preto (Alouatta caraya) e o tamanduaí (Cyclopes rufus), entre outras espécies que tiveram o estado de conservação reavaliado.

Casal adulto de bugios-pretos na esquerda. Já na direita um TamanduaíItalo Mourthe e Alexandre Mendonça

Saiba como funciona a lista de espécies ameaçadas

A Lista Nacional Oficial de Espécies da Fauna Ameaçadas de Extinção é um dos principais instrumentos utilizados pelo governo brasileiro para orientar políticas de conservação da biodiversidade.

Ela é atualizada periodicamente com base em avaliações realizadas pelo ICMBio, em parceria com universidades, centros de pesquisa e especialistas de diferentes áreas. A edição mais recente substitui a lista publicada em 2022 e foi construída após 15 oficinas técnicas que reuniram mais de 200 pesquisadores.

Ao todo, cerca de 15 mil espécies da fauna brasileira são monitoradas pelo instituto. Esse trabalho faz do Brasil um dos países que mais avaliam a biodiversidade em escala mundial.

As classificações seguem os critérios da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN), referência internacional para medir o risco de extinção das espécies.

As principais categorias são:

  • Criticamente em Perigo (CR): espécies com risco extremamente elevado de extinção em futuro próximo;
  • Em Perigo (EN): animais que enfrentam risco muito alto de desaparecer da natureza;
  • Vulnerável (VU): espécies que apresentam elevado risco de entrar em categorias mais graves caso as ameaças persistam;
  • Extinta na Natureza (EW): sobrevivem apenas em cativeiro ou programas de conservação;
  • Extinta (EX): não há mais registros da espécie na natureza.

Na atualização deste ano, 168 espécies foram classificadas como Criticamente em Perigo — sendo 25 consideradas possivelmente extintas —, 285 ficaram na categoria Em Perigo e 336 foram enquadradas como Vulneráveis.

180 espécies na nova lista de ameaçadas

Segundo o Ministério do Meio Ambiente, aproximadamente 180 espécies ou subespécies passaram a integrar a lista de ameaçadas após a nova avaliação técnica.

O grupo reúne animais cuja situação de conservação piorou, espécies avaliadas pela primeira vez e outras recentemente descritas pela ciência.

Por outro lado, cerca de 150 espécies deixaram a relação. Isso ocorreu por diferentes motivos, entre eles a recuperação das populações, avanços nas pesquisas científicas, novos registros de ocorrência e revisões taxonômicas, que alteram a forma como determinadas espécies são classificadas.

A atualização também manteve em nove o número de espécies oficialmente consideradas extintas no Brasil. Entre elas está a perereca-gladiadora-de-sino (Boana cymbalum), registrada pela última vez em 1962 na Serra do Mar, em São Paulo.

Instrumento para proteger a fauna

Além de indicar quais espécies precisam de maior atenção, a lista serve de base para a elaboração de planos de recuperação, definição de áreas prioritárias para conservação, licenciamento ambiental e direcionamento de pesquisas científicas.

Segundo o MMA, conhecer o estado de conservação dos animais é essencial para transformar dados científicos em políticas públicas capazes de reduzir o risco de extinção e ampliar a proteção da biodiversidade brasileira.

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