
Uma nova espécie de fungo na floresta tropical de Bornéu, na Malásia, foi descoberta por cientistas da Universidade da Malásia Sabá. Ele recebeu o apelido de hiperparasita porque ataca outro fungo, conhecido como “fungo zumbi“.
O novo fungo, chamado Pleurocordyceps cornusynnemata, foi achado quando os pesquisadores examinavam uma formiga morta encontrada no Vale de Danum, no sul do estado de Sabá. Ele invade e se alimenta do próprio “fungo zumbi” enquanto ele cresce dentro do inseto. Por isso, os cientistas o classificaram como um hiperparasita, ou seja, um organismo que vive às custas de outro parasita.

Único com chifres
Segundo os pesquisadores, o nome da nova espécie faz referência a uma estrutura parecida com um chifre no fungo. Isso diferencia ele das outras 26 espécies do mesmo grupo já encontradas na China, Tailândia e Japão.
Segundo o diretor-adjunto do Instituto de Biologia Tropical e Conservação, Jaya Seelan Sathiya Seelan, esta é a primeira espécie desse grupo a apresentar essa estrutura tão marcante.
Os pesquisadores ainda acharam uma nova espécie de fungo que infecta as aranhas, espalha seus esporos pelo corpo do animal até matar.
O vice-reitor da universidade, professor Datuk Dr. Kasim Mansor disse que a descoberta mostra a capacidade dos pesquisadores do país de fazer estudos com reconhecimento internacional e destaca a importância da grande diversidade de plantas, animais e fungos que existem na Malásia.
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Por que isso é importante
Segundo Seelan, os fungos recém-descobertos poderão ajudar, no futuro, na criação de novos medicamentos, principalmente para combater microrganismos que causam doenças.
O pesquisador ainda afirmou que eles também poderão ser estudados para ajudar no controle de pragas na agricultura, diminuindo a necessidade do uso de produtos químicos.
O que é o “fungo zumbi”
O chamado “fungo zumbi” faz parte do gênero Ophiocordyceps e é conhecido por atacar principalmente as formigas em florestas tropicais. Segundo um estudo publicado em 2018 na revista científica Studies in Mycology, esses fungos conseguem mudar o comportamento do inseto para aumentar suas chances de espalhar seus esporos.
Dependendo da espécie de Ophiocordyceps, a formiga contaminada pode abandonar o formigueiro e subir em plantas, prender as mandíbulas em folhas, galhos ou outras partes da vegetação antes de morrer, ou ainda descer da copa das árvores e morrer na base dos troncos.
Os pesquisadores explicam que essa estratégia ajuda o fungo a escapar das defesas naturais dos formigueiros, porque, nas colônias, elas eliminam indivíduos que ficam doentes, o que dificulta a transmissão do fungo.
O estudo de 2018 descobriu 15 novas espécies de “fungo zumbi”, inclusive no Brasil.
