
A greve dos motoristas de ônibus do Rio de Janeiro chega ao terceiro dia de paralisação nesta quarta-feira (01) em meio a impassses entre o Sindicato dos Rodoviários e a Rio Ônibus, que representa as viações. Como reflexo, os pontos de ônibus seguem lotados e moradores relatam imensa dificuldade de se locomoverem na cidade. Na terça (30), o Tribunal Regional do Trabalho da 1ª Região (TRT-1) chegou a reunir as partes em uma audiência, mas não houve conciliação.
Os rodoviários fazem uma série de exigências, incluindo o aumento de 17% para funções gerais e pisos salariais fixados em R$ 5 mil, para motoristas do BRT, e R$ 4 mil, para os condutores das demais linhas, além de reajuste no vale-alimentação. Porém, o Rio Ônibus, mantém a proposta de reajuste inicial de 4,39%.

Ministério Público do Trabalho chegou a propor ao sindicato uma pausa na greve até que uma nova audiência fosse realizada, que inicialmente estava marcada para a próxima segunda-feira (06). Como contrapartida, foi proposto não descontar valores pelos dias parados e a prefeitura iria se comprometia a não multar as empresas por não oferecer o serviço. Porém, a parte manifestante negou.
Após a negativa, uma nova audiência foi marcada para esta quarta-feira (01), às 11h.
Fila, confusão e falta de transporte
A falta de acordo entre os trabalhadores e as empresas está acarretando em um cenário de caos no transporte público do Rio de Janeiro. Cenas de ônibus superlotados, longas filas e pontos cheios se repetem cada vez mais em toda a cidade.
O impacto apareceu logo pela manhã de segunda, quando começou a greve. Em pontos e terminais, passageiros encontraram menos ônibus, viagens mais demoradas e veículos cheios. No Terminal Alvorada, na Barra da Tijuca, no mesmo dia, houve confusão. Grades foram depredadas, e passageiros revoltados invadiram a calha dos BRTs.

O reflexo não é só visto na frota que circula, mas também nos outros meios de transporte. Trens, barcas e metrô operaram normalmente. Mesmo assim, parte dos passageiros que não conseguiu embarcar.
Para diminuir os impactos, a Trens RJ afirmou, na noite de terça, que vai disponibilizar nesta quarta “30 viagens além da grade convencional, com redução dos intervalos nos horários de maior demanda”. Já o MetrôRio infrmou que vai reforçar a oferta de composições no sistema “em caso de aumento no número de passageiros”.
A Prefeitura informou que acompanha a greve e pediu à Justiça aumento da frota mínima para reduzir os transtornos.
O que a Justiça determinou
O TRT-1 determinou que pelo menos 50% da frota circule por linha e itinerário durante a greve. A multa por descumprimento é de R$ 50 mil por dia para o Sindicato dos Rodoviários e para o Rio Ônibus.
A Justiça considerou a greve legal, mas impôs a manutenção de parte da operação por se tratar de serviço essencial. A desembargadora Maria Helena Motta também proibiu contratações temporárias para substituir grevistas e barrou demissões sem justa causa motivadas pela participação na paralisação.
No BRT, Prefeitura e sindicato deram versões diferentes. A Mobi-Rio informou que o sistema seguiria com plano regular de dias úteis. O sindicato afirma que condutores do BRT também aderiram à greve e que seria mantida a frota mínima nos horários de maior demanda.
A categoria rejeitou a proposta apresentada pelas empresas. Os rodoviários cobram:
- piso de R$ 4 mil para motoristas de ônibus convencionais;
- piso de R$ 5 mil para condutores de articulados;
- tíquete-alimentação de R$ 1 mil;
- plano de saúde;
- plano odontológico;
- escala 5×2;
- fim dos contratos temporários na Mobi-Rio;
- contratação pelo regime da CLT.
O iG também entrou em contato com o Rio Ônibus, o Sindicato dos Rodoviários e a Prefeitura do Rio para saber se as entidades vão se posicionar sobre o segundo dia de greve, mas não obteve retorno. O espaço segue aberto.
