
O principal manancial de abastecimento da Região Metropolitana de São Paulo passará por mudanças em sua operação a partir desta quarta-feira (01), quando se inicia o mês de julho, após encerrar o mês de junho com 39,87% de seu volume útil, tendo uma queda em relação ao mês de maio, que fechou com 40,52%.
Segundo a Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) e a Agência de Águas do Estado de São Paulo (SP Águas), o Sistema Cantareira vai operar na chamada Faixa 3, que indica que os níveis do conservatório estão em alerta. Essa Faixa é constantemente acionada quando o nível da água atinge uma marca entre 30% e 40%. Por este motivo, a SABESP deverá reduzir a sua captação de água do sistema, que era de 33 metros cúbicos por segundo (m³/s), e está autorizada a retirar do Cantareira até 27m³/s.
Além do volume autorizado a ser retirado do Sistema Cantareira, a SABESP também poderá complementar o abastecimento utilizando a vazão eventualmente transposta da Usina Hidrelétrica Jaguari, na bacia do rio Paraíba do Sul, respeitando os limites impostos.
A queda do volume já era esperada e estava sendo constantemente monitorada por conta do período de estiagem, época entre abril e setembro caracterizada pela redução ou falta das chuvas.
Em um comunicado, a ANA e a SP Águas reforçam a importância das medidas adotadas e recomendam o uso racional de água pelos demais usuários.
O Sistema Cantareira
O manancial abastece cerca de metade da população da Região Metropolitana de São Paulo e é composto por cinco reservatórios interligados, são eles: Jaguari, Jacareí, Cachoeira, Atibainha e Paiva Castro. O volume total do conservatório atinge 981,56 bilhões de litros e, desde de 2018, conta também com a interligação entre a represa da usina hidrelétrica (UHE) Jaguari (no rio Paraíba do Sul) e a represa Atibainha.
A gestão do Cantareira é realizada conjuntamente pela ANA e pela SP Águas, que acompanham diariamente os dados dos níveis da água, vazões e armazenamento, garantindo que o uso hidráulico na cidade de São Paulo seja possível.
Crise hídrica
A operação por faixas (utilizada constantemente ao decorrer dos anos) foi criada após os anos de 2014 e 2015, quando a crise hídrica preocupou o cenário de abastecimento hídrico, principalmente na região sudeste, que foi a mais afetada. A ação estabelece limites de retirada de água de acordo com o volume armazenado no Cantareira, visando abastecer a Região Metropolitana de São Paulo sem danificar o Sistema.
O volume útil do Cantareira se esgotou durante o período da crise hídrica, chegando a ser chamado de “volume morto” e precisando de bombeamento para passar pelos canos de distribuição. Em 2016, a situação se normalizou e diversas medidas foram tomadas para que a crise não se repetisse.
