
O primeiro-tenente da Rota, Ronickson Pimentel dos Santos, de 39 anos, conhecido nacionalmente por ser o irmão mais velho de Eloá Cristina Pimentel, foi baleado na cabeça, no último sábado (27), na Avenida Goiás, em São Caetano do Sul, na Grande São Paulo.
Imagens do sistema de monitoramento mostram o momento em que Ronickson Pimentel estava parado em um semáforo quando dois homens em outra motocicleta se aproximaram e efetuaram os disparos.

O oficial foi socorrido em estado gravíssimo por equipes da Polícia Militar, com apoio do helicóptero Águia, sendo encaminhado inconsciente ao Hospital Mário Covas, onde permanece internado.
O andamento das investigações
As imagens captadas pelo sistema Smart Sampa, da Prefeitura de São Paulo, permitiram que os policiais conseguissem reconstruir a rota de fuga dos suspeitos e identificar os veículos utilizados na ação criminosa. A moto utilizada no crime foi encontrada abandonada na região de Heliópolis, na Zona Sul de São Paulo.
Na madrugada do último domingo (28), a Polícia Militar de São Paulo prendeu dois homens, de 40 e 52 anos, suspeitos de participação no atentado. A Justiça de São Paulo decretou a prisão temporária de ambos. Um dos suspeitos confessou envolvimento no crime.
Na última quarta-feira (1º), a polícia também localizou um carro que teria sido usado pelos criminosos na ação, no Jardim Guaianazes, na Zona Leste de São Paulo.
Em nota enviada ao iG, a Secretaria da Segurança Pública (SSP) informou que um trabalho conjunto entre a Polícia Militar e a Polícia Civil resultou na localização e apreensão de um Renault Logan branco, que teria sido usado pelos criminosos na tentativa de homicídio do tenente.
Ação policial
Um homem morreu durante uma ação da Polícia Militar na última quarta-feira (1º), no Jardim Guaianazes, na Zona Leste de São Paulo. A equipe foi ao local para averiguar uma denúncia sobre uma possível ligação dele com o atentado contra Ronickson.
A reportagem entrou em contato com a Secretaria da Segurança Pública (SSP), que informou que a Polícia Militar não atribui ao homem morto a condição de suspeito da tentativa de homicídio contra o tenente Pimentel.
Planejamento do crime
Imagens analisadas pela polícia mostram que o Renault Logan branco, apreendido na última quarta-feira (1º) e utilizado na logística de fuga dos atiradores, circulava desde fevereiro por endereços ligados ao tenente.
O veículo foi encontrado estacionado em um terreno, coberto por uma capa cinza, no Jardim Guaianazes, na Zona Leste de São Paulo.
Com essa informação, a investigação aponta que os criminosos monitoravam a vítima havia cerca de quatro meses.
Recuperação de Ronickson Pimentel
Na última segunda-feira (29), ele passou por uma tomografia que indicou uma melhora do edema cerebral.
Já na terça-feira (30), em uma das publicações feitas nas redes sociais da Rota, foi informado que, entre as evoluções, os médicos estavam avaliando diminuir a medicação para controle da pressão arterial.
Além da redução dos remédios, o tenente também está apresentando uma resposta positiva ao tratamento neurológico. Ele não tem febre e os demais órgãos estão funcionando normalmente.
Nesta quinta-feira (02), em um novo boletim médico, a equipe médica suspendeu a medicação para suporte da pressão arterial e, nos próximos dias, avalia iniciar a redução da sedação.
Ronickson segue internado em estado grave na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Estadual Mário Covas, em Santo André.
Família segue confiando
A esposa de Ronickson Pimentel, Cintia Pimentel, tem compartilhado atualizações sobre o estado de saúde dele em seu perfil no Instagram.
Na noite do último domingo (28), ela publicou uma mensagem na qual afirmou: “Seguimos confiando, orando e acreditando na recuperação do Ronickson.”
Já no fim da tarde da última terça-feira (30), ela compartilhou uma carta aberta na qual informou que havia restringido temporariamente o acesso ao seu perfil por questões de segurança.
Na publicação, ela agradeceu todas as mensagens, orações e demonstrações de carinho que tem recebido. “Sou profundamente grata por cada gesto.”
No final da carta, ela ressalta que, por questões de segurança e para preservar sua família, ela arquivou suas fotos e restringiu temporariamente seu perfil.
Quem é Ronickson Pimentel
Ronickson ingressou na Polícia Militar de São Paulo em 2009, inicialmente como soldado, após ter servido como fuzileiro naval na Marinha do Brasil entre 2006 e 2009.
Em 2015, passou a integrar o quadro de oficiais da corporação por meio da Academia de Polícia Militar do Barro Branco. Ao longo da carreira, acumulou sete anos de experiência no patrulhamento de Força Tática e, desde 2019, atua no 1º Batalhão de Polícia de Choque Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota), uma das tropas de elite da PM paulista.
O caso que marcou a família
Ronickson é irmão mais velho de Eloá Cristina Pimentel, adolescente de 15 anos assassinada pelo ex-namorado, Lindemberg Alves Fernandes, em outubro de 2008, em Santo André.

O caso ganhou repercussão nacional após Eloá permanecer cerca de 100 horas em cárcere privado dentro do apartamento onde vivia. O desfecho trágico, acompanhado ao vivo por emissoras de televisão de todo o país, transformou o episódio em um dos casos criminais mais emblemáticos da história recente do Brasil.
