
A Polícia Federal a investigar o repasse de emendas parlamentares a empresas vinculadas à produtora do filme Dark Horse, que conta a trajetória de Jair Bolsonaro. O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a ação.
O ministro concentra no STF a relatoria de uma série de processos que investigam suspeitas em repasses de emendas parlamentares a empresas, entidades e ONGs.
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A investigação mira repasses de emendas parlamentares feitos por cinco deputados federais a empresas e ONGs. Uma das empresas pertence à mesma dona da produtora de Dark Horse.
Outra frente no STF concentra investigações sobre o financiamento do filme. O caso havia sido inicialmente distribuído ao ministro Alexandre de Moraes, mas acabou redistribuído ao ministro André Mendonça, que, antes de decidir abrir ou não inquérito, solicitou manifestação da Procuradoria-Geral da República (PGR).
Mendonça agora aguarda análise do caso que será apresentada pelo procurador-geral Paulo Gonet.
Suspeitas
O senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) aparece no centro da polêmica envolvendo o financiamento do filme que enaltece os feitos de seu pai.
Como um dos principais articuladores e divulgadores da cinebiografia do pai, ele defende publicamente a produção e seu lançamento.
Mas acabou se envolvendo em polêmica quando o site Intercept Brasil vazou um áudio do filho do ex-presidente pedindo dinheiro para o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, que está preso desde o início do ano por suspeita de operar um esquema de fraude que gerou um rombo de R$ 47 bilhões ao Fundo Garantidor de Crédito (FGC).
O áudio indica que pelo menos R$ 61 milhões haviam sido pagos entre fevereiro e maio de 2025, em seis operações, para financiar o projeto cinematográfico ligado à família Bolsonaro, de um total de R$ 134 milhões negociados.
O pré-candidato ao Planalto negou irregularidades e disse que se tratava de um investimento privado. Afirmou ainda que apresentaria documentos que ia comprovar sua versão, mas, até o momento, não o fez.
Dias depois, o Intercept Brasil apontou um contrato assinado digitalmente por Eduardo Bolsonaro com a empresa GoUp Entertainment, com sede nos Estados Unidos, produtora do longa, revelando que o outro filho de Bolsonaro também captava recursos para o filme.
Entre as funções estabelecidas pelo contrato divulgado pela reportagem estão as de “envolvimento nas considerações estratégicas relacionadas ao financiamento do filme e preparação de informações e documentação para investidores e assistência na identificação de recursos de financiamento de filmes, incluindo créditos e incentivos fiscais, colocação de produtos e patrocínio”.
Eduardo Bolsonaro já havia negado acesso aos recursos do filme, quando foi divulgado que a Polícia Federal apura se o dinheiro solicitado por Flávio Bolsonaro a Daniel Vorcaro foi utilizado para bancar despesas do ex-deputado nos Estados Unidos.
O fato é que as duas frentes de investigação sobre o financiamento do filme Dark Horse no STF podem convergir.
A conduzida pelo ministro André Mendonça busca esclarecer quem financiou a produção cinematográfica. Já a relatada por Flávio Dino investiga a origem e a destinação de recursos públicos transferidos por meio de emendas parlamentares para empresas ligadas à produtora.
