“Superverme” carnívoro limpa um esqueleto em poucas horas

Supervermes limpar ave em pouco tempoReprodução/Museu Estadual de História Natural de Stuttgart

Museus que precisam limpar esqueletos de animais para exposição podem, em breve, contar com a ajuda de larvas de besouro carnívoras, conhecidas como “supervermes“.

Segundo um estudo publicado nesta quarta-feira (01), os insetos conseguem remover toda a carne dos ossos em poucas horas ou até poucos dias, dependendo do tamanho do animal, sem estragar os ossos mais delicados.

Os testes foram feitos em oito espécies, desde um morcego de só nove gramas até um lobo-cinzento de 4,2 quilos. Antes do processo, os animais tiveram a pele e os órgãos retirados. Depois, foram colocadas junto com as larvas, que comeram todos os tecidos, inclusive nas partes de mais difícil acesso.

Em espécies pequenas, como camundongos e morcegos, o trabalho foi feito em poucas horas. Já no lobo-cinzento, levou cerca de 78 horas para finalizar toda a limpeza. Nesse caso, foi necessário até trocar as larvas a cada oito horas por outras que ainda não tinham se alimentado.

Os cientistas concluíram que o principal fator para o sucesso é a quantia de larvas por peso do animal. Larvas demais aceleram a limpeza, mas aumentam o risco de quebrar ossos finos e delicados. Poucas fazem o processo ser muito demorado. A proporção considerada ideal foi de 10 a 15 gramas de larvas para cada grama do animal.

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Como as larvas podem ajudar

Atualmente, museus e instituições de pesquisa usam vários métodos para limpar esqueletos usados em coleções científicas. Entre eles estão enterrar os animais, para que microrganismos façam a decomposição dos tecidos moles, e o uso de produtos químicos.

Já os supervermes são a fase larval do besouro-da-farinha escuro e são criados comercialmente como alimento para répteis, anfíbios, peixes e aves, o que facilita encontrá-los.

Segundo o estudo, outra vantagem é que, quando são colocadas em grandes grupos, as larvas não viram adultas. Apenas elas participam da limpeza dos esqueletos, evitando a reprodução de besouros em cima do material delicado.

Os besouros adultos quase não voam e não costumam atacar materiais como pele e penas, comuns nessas coleções. Além disso, as larvas precisam de pouca manutenção quanto à temperatura e umidade e podem ser alimentadas com restos de frutas e verduras entre um uso e outro.

Cuidados durante a limpeza

Mesmo com os resultados positivos, o método precisa de atenção, principalmente em animais muito pequenos ou com ossos frágeis. Em dois testes, feitos com um camundongo e um morcego, parte do crânio e das costelas foi danificada por usar larvas de mais.

Quando a quantidade foi ajustada, o método conseguiu proteger até crânios delicados de aves.

O estudo ainda recomenda deixar as larvas cerca de 24 horas sem alimento antes do uso, para aumentar sua atividade, e fazer o processo em ambientes bem ventilados. 

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