Vorcaro tentou frear ameaças ‘comprando’ jornalista e seu deu mal

O ex-banqueiro Daniel VorcaroReprodução

O Brasil possui 1.497.971 advogados e advogadas inscritos regularmente na Ordem dos Advogados nacional. É o país que detém a maior proporção de defensores por habitante do mundo. Um verdadeiro domo jurídico que representa, em média, 1 profissional para cada 164 brasileiros.

Mas quis o destino que Daniel Vorcaro batesse à porta justamente de Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro do STF Alexandre de Moraes, para contratar serviços advocatícios pela balela de R$ 129 milhões em honorários – previstos em contrato enviado por ela ao banqueiro já enroscado com a Justiça, como mostrou o repórter Fausto Macedo no jornal O Estado de S.Paulo.

O documento, segundo a apuração, previa a defesa dos interesses da instituição junto ao Banco Central, a Receita Federal e o Congresso Nacional.

A existência do contrato já seria razão suficiente para Alexandre de Moraes se declarar impedido de julgar qualquer caso relacionado ao Banco Master. Mas ele seguiu. Seguiu e trocou mensagens com o contratante da companheira em ao menos uma ocasião – quando Vorcaro o acionou para pedir orientação pouco antes de ser preso.

É bem grave.

A delação de Vorcaro se tornou dispensável, pela PF e a PGR, diante do conteúdo pornográfico guardado no celular do banqueiro. Ali tudo está desenhado, com um amadorismo incomum para quem pretendia botar metade da República na mão – inclusive jornalistas.

Em um desses diálogos, Vorcaro fala claramente com o publicitário Thiago Miranda sobre a urgência de calar a jornalista Malu Gaspar, do jornal “O Globo”. A dupla sabia que ela tinha informações sobre os crimes cometidos pelo banqueiro e tentavam neutralizar a mensageira. A ordem, a princípio, era “revirar a vida” da colunista, com dados que pudessem ser usados contra ele sobre a vida familiar, bancária e profissional. Ninguém encontrou nada.

Vorcaro, então, desiste de encontrar podres sobre alguém decente e muda a estratégia. E se ela trabalhasse para ele por um caminhão de dinheiro? Na época Thiago Miranda era sócio e CEO do Grupo LeoDias.

O publicitário descobre mensagens com a suposta remuneração da jornalista e outros dados pessoais, como endereço e marca do automóvel. Vorcaro passa, então, a discutir salário e valores de luvas contratuais que poderiam ser oferecidos para que ela trabalhasse em um veículo ligado (leia-se comprado) pelo banqueiro. Provavelmente a coluna de Leo Dias – uma vergonha para todo mundo que atua nesta profissão.

Malu, que é séria, não topou. A certa altura a dupla lamenta um certo “voto de pobreza” da colunista que não se dobraria, como tantos, ao dinheiro oferecido.

(Não à toa, a Associação Nacional de Jornais classificou como “métodos mafiosos” a tentativa de intimidação da jornalista).

O diálogo escancara o método de uma quadrilha que comprava serviços por valores acima do mercado para ganhar aliados ou calar quem poderia atrapalhar os planos. Seja a jornalista com as fontes certas ou a advogada casada com o juiz poderoso. Vai ver é só uma grande coincidência.

Adicionar aos favoritos o Link permanente.