
A Justiça recebeu, na última terça-feira (30), uma denúncia apresentada pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP) que acusava o ex-bispo de Catanduva Dom Valdir Mamede de importunação sexual após praticar uma série de abusos sexuais contra um padre entre 2019 e 2023; o suspeito virou réu.
A investigação começou em 2024 e quase foi arquivada,mas o procurador-Geral de Justiça determinou o desarquivamento por ver indícios de crimes. O Ministério Público afirma na denúncia que o ex-bispo se aproveitou da relação de autoridade exercida sobre a vítima para praticar atos libidinosos sem consentimento, buscando usar sua influência religiosa para constranger o padre.
As apurações indicam que Valdir Mamede era bispo auxiliar da Arquidiocese de Brasília e assumiu o Bispado de Catanduva, município do interior de São Paulo, em 2019. O padre, vítima do caso, atuava na paróquia em Ibirá (cidade de São Paulo), e registrou a ocorrência em março de 2024.
O documento incita que os abusos teriam acontecido no decorrer de cinco anos e destaca quatro supostos casos considerados criminosos que envolviam o ex-bispo católico e o padre. Um desses casos registrados há relatos de que Dom Valdir ligava para o padre, através de chamadas de vídeos, ficava nu e se masturbava em frente à câmera. Em outro episódio, o ex-bispo foi até a casa do padre enquanto estava alcoolizado, tirou a roupa, deitou-se nu na cama e se masturbou, segundo o MP.
Além da condenação criminal, o Ministério Público pede à Justiça que o ex-bispo pague indenização no valor de R$ 300 mil ao padre, alegando danos morais; o MP também solicitou que o ex-bispo seja proibido de manter contato com o padre e que não se aproxime da vítima, uma vez que o padre se encontra em licença médica devido às pressões e danos psicológicos.
A 2ª Vara Criminal e Anexo da Infância e da Juventude da Comarca de Catanduva aceitou a denúncia e determinou que o processo siga em segredo de Justiça.
A primeira denuncia
Em 2024 o padre do caso denunciou o ex-bispo após afirmar que o mesmo o agarrou e o beijou a força, além de cometer a violência sexual. A Polícia Civil então instaurou inquérito para investigar a denúncia no interior de SP.
O crime teria acontecido na casa de Valdir, quando o suspeito pediu para que ele o acompanhasse; o padre afirmou aos policiais que Dom Valdir se desculpou e demonstrou arrependimento.
Após o caso, que teria acontecido em 2023, o até então bispo renunciou ao cargo sem explicações.
O iG procurou a Diocese de Catanduva, mas não obteve retorno até a publicação desta reportagem. O espaço segue aberto.
