
Cidade de Itacoatiara, no interior do Amazonas, afetada pela seca em 2024
Liam Cavalcante, da Rede Amazônica
O Amazonas deve registrar chuvas abaixo da média e temperaturas acima do esperado ao longo do mês de julho, segundo previsão do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). O cenário, divulgado na quarta-feira (1º), aumenta o risco de focos de calor no estado e ocorre em meio à consolidação do fenômeno El Niño.
De acordo com o Inmet, a temperatura deve ficar, em média, pelo menos 1°C acima do esperado para o período. A combinação entre menos chuva e calor reduz a umidade e o armazenamento de água no solo, o que pode afetar culturas agrícolas, pastagens e sistemas produtivos mais dependentes das precipitações, além de favorecer o surgimento de focos de calor.
“Como consequência, poderá ocorrer redução do armazenamento de água no solo, afetando culturas em desenvolvimento, pastagens e sistemas produtivos mais dependentes das precipitações, além de aumentar o risco de ocorrência de focos de calor”, informou o instituto.
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🔎 O El Niño é um fenômeno climático natural provocado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial. Esse aquecimento altera a circulação da atmosfera e influencia os padrões de chuva, temperatura e vento em diferentes regiões do planeta.
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Ao g1, a meteorologista Andrea Ramos afirmou que as projeções do Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), indicam a manutenção de um período mais seco nos próximos meses.
Segundo a especialista, a combinação entre baixa umidade e temperaturas elevadas reduz a disponibilidade de água no solo e favorece a propagação de incêndios florestais.
“Essa combinação acelera a perda de umidade do solo, reduz o armazenamento de água disponível para a vegetação e cria condições mais favoráveis à ocorrência e propagação de incêndios florestais. É importante destacar que o fogo depende de uma fonte de ignição, mas as condições meteorológicas tornam sua propagação muito mais rápida e intensa”, explicou.
Andrea Ramos também afirmou que a redução das chuvas nesta época do ano está relacionada à menor disponibilidade de umidade na atmosfera.
“Com menor disponibilidade de umidade, a formação de nuvens e de precipitação torna-se menos frequente, enquanto a maior incidência de radiação solar favorece a elevação das temperaturas”, disse.
Previsão para os próximos meses
O Instituto Nacional de Meteorologia informou que os modelos climáticos apontam probabilidade superior a 90% de permanência do El Niño pelo menos até o início de 2027.
Também há alta probabilidade de ocorrência de um El Niño muito forte entre a primavera e o verão de 2026, quando as anomalias da temperatura da superfície do mar no Oceano Pacífico Equatorial podem superar 2°C.
Para o trimestre entre julho e setembro de 2026, a previsão indica chuvas abaixo da média no centro-norte do país, incluindo a Amazônia, e temperaturas acima da média durante o segundo semestre. Segundo o instituto, esse cenário pode favorecer a ocorrência de ondas de calor e incêndios florestais.
Histórico recente
Há dois anos, o Amazonas registrou o maior número de focos de calor desde 1998. Entre 1º de janeiro e 23 de setembro de 2024, foram contabilizados 21.612 focos, segundo dados oficiais. Naquele período, a fumaça das queimadas atingiu os 62 municípios do estado.
Também em 2024, o Amazonas enfrentou uma estiagem severa. Os 62 municípios decretaram situação de emergência por causa da seca e das queimadas. Em setembro daquele ano, mais de 460 mil pessoas eram afetadas pela estiagem, conforme dados do Governo do Amazonas.
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