Brasil transformou sobreviventes em cidadãos, esperança em legado

Judeus deportados da Polônia durante o HolocaustoDomínio Público

Há histórias que transcendem uma família — pertencem à humanidade. A da minha família, Presser, é uma delas.

Meus pais, Eliahu e Yocheved Presser, fugiram da Polônia durante o Holocausto.

Como tantos judeus, enfrentaram perseguição, perdas e a tentativa brutal de lhes negar o direito de existir.

Meu pai chegou ao Brasil sem recursos, mas com algo indestrutível: esperança.

O Brasil não acolheu apenas um imigrante, mas um sobrevivente disposto a recomeçar com dignidade.

Aqui, nossa família voltou a acreditar no futuro.

Meu irmão, Abrão Presser, tornou-se microempresário e encontrou nas motos uma expressão de liberdade — simbolizada pela vitória em um rally no Paraná.

Eu segui a medicina, inspirado pelo valor da vida.

Cada conquista nossa foi, de alguma forma, uma resposta silenciosa à barbárie que tentaram nos impor.

Ao lado de minha esposa, Bracha, construímos uma família que representa continuidade. Nossos filhos e netos são a prova de que a vida prevalece.

Cada nova geração é uma vitória sobre o apagamento que tentaram impor ao nosso povo.

O Brasil devolveu ao meu pai uma pátria — e a nós, um futuro.

Minha gratidão é profunda e permanente.

Este país nos permitiu reconstruir, sonhar e florescer em liberdade.

A Shoá tentou destruir histórias. O Brasil nos permitiu escrever novas.

No fim, a maior resposta ao ódio sempre foi a vida.

E foi aqui que ela floresceu para a família Presser.

*Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do iG

**Victor Presser, médico e membro do grupo Judaísmo sem Partido

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