
Um novo satélite equipado com tecnologia a laser promete aumentar a precisão das previsões meteorológicas e permitir que fenômenos extremos, como ondas de calor, furacões e tempestades intensas, sejam identificados com mais antecedência. Batizada de Aeolus-2, a missão foi anunciada pela Agência Espacial Europeia em parceria com a Airbus e dará continuidade ao trabalho do primeiro satélite Aeolus, lançado em 2018.
O principal diferencial do equipamento será um sistema de laser Doppler capaz de medir a velocidade e a direção dos ventos em diferentes camadas da atmosfera. Ao enviar pulsos de luz ultravioleta em direção à Terra e analisar o sinal refletido por partículas presentes no ar, o satélite conseguirá mapear a circulação atmosférica mesmo em regiões onde há pouca coleta de dados, como oceanos, áreas polares e partes remotas do planeta.
Essas informações alimentam os modelos numéricos usados pelos centros meteorológicos para elaborar previsões do tempo. Quanto mais precisos forem os dados sobre o comportamento dos ventos, maior será a capacidade dos computadores de simular a evolução da atmosfera e antecipar eventos potencialmente perigosos.
Segundo a Agência Espacial Europeia, a primeira missão Aeolus demonstrou que observações de vento feitas a partir do espaço podem melhorar significativamente a qualidade das previsões meteorológicas. Os dados também contribuíram para monitorar a formação de furacões, o deslocamento de cinzas vulcânicas e a circulação de massas de ar em áreas pouco cobertas por estações meteorológicas.
O novo satélite fará cerca de 15 voltas ao redor da Terra por dia, em uma órbita de aproximadamente 450 quilômetros de altitude. Durante esse percurso, será capaz de registrar perfis verticais dos ventos desde a superfície até cerca de 30 quilômetros de altura, cobrindo todo o planeta em aproximadamente uma semana. Além disso, o equipamento contará com um detector para medir a concentração de aerossóis na atmosfera, ampliando a quantidade de informações disponíveis para pesquisadores.
Os dados coletados serão enviados para centros meteorológicos, incluindo o serviço nacional de meteorologia do Reino Unido e o Centro Europeu de Previsões Meteorológicas de Médio Prazo, instituições responsáveis por desenvolver modelos utilizados em diversos países. A expectativa é que previsões mais confiáveis ajudem governos a emitir alertas antecipados para eventos climáticos extremos, reduzindo riscos para a população e setores como agricultura, aviação e transporte marítimo.
Embora o Aeolus-2 represente um avanço tecnológico importante, especialistas destacam que ele não elimina as incertezas inerentes à previsão do tempo. Fenômenos atmosféricos continuam sendo extremamente complexos, mas a ampliação da quantidade e da qualidade dos dados disponíveis permite que os modelos meteorológicos se tornem cada vez mais precisos, aumentando o tempo de resposta diante de desastres naturais e dos impactos das mudanças climáticas.
