Venezuela registra mais de mil sismos após terremotos de junho

Equipes de resgate seguem as buscas por sobreviventesReprodução X

A Venezuela ultrapassou a marca de mil sismos registrados desde os terremotos de magnitudes 7,2 e 7,5 que atingiram o norte do país em 24 de junho. Dados atualizados da Fundação Venezuelana de Investigações Sismológicas (Funvisis) mostram que, até este domingo (5), foram contabilizados 1.028 eventos sísmicos no período.

Considerando apenas os dias posteriores ao desastre, entre 25 de junho e 5 de julho, o total chega a 972 tremores, indicando que a atividade sísmica permanece elevada mesmo após os abalos principais.

Segundo o governo venezuelano, o número de vítimas fatais chegou a 2.954 neste sábado (4), enquanto os feridos já passam de 16 mil. A Organização das Nações Unidas (ONU) trabalha com uma estimativa de mais de 50 mil pessoas desaparecidas, o que indica que o balanço de mortos ainda pode aumentar à medida que equipes de resgate conseguem acessar áreas destruídas.

Maioria dos tremores é de baixa magnitude

Os dados da Funvisis apontam que quase todos os sismos registrados após 24 de junho tiveram intensidade reduzida. Do total de 1.028 eventos, 1.013 apresentaram magnitude inferior a 4, enquanto 13 ficaram entre magnitude 4 e 6. Apenas dois tremores superaram a magnitude 6, que foram os terremotos que causaram a devastação em larga escala.

Em geral, abalos abaixo de magnitude 4 produzem vibrações leves e, dependendo da profundidade e da distância do epicentro, costumam passar despercebidos pela maior parte da população. Ainda assim, esses registros são importantes porque mostram que a crosta terrestre continua se ajustando após a ruptura provocada pelo terremoto principal.

O painel da Funvisis mostra que algumas cidades concentram a maior parte dos registros desde o início da sequência sísmica. Entre elas estão:

  • Nirgua: 230 sismos;
  • La Guaira: 95;
  • San Felipe: 44;
  • Boca de Aroa: 42;
  • Maracay: 42;
  • San Felipe de Yaracuy: 37;
  • La Victoria: 29;
  • San Carlos: 29;
  • Los Teques: 25.

Risco de deslizamentos preocupa autoridades

Além da sequência de sismos, especialistas acompanham os efeitos secundários provocados pelos terremotos. O Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) alerta que os abalos aumentaram o risco de deslizamentos de terra, principalmente em áreas montanhosas e próximas a rios.

Segundo a agência, as encostas podem permanecer instáveis por um período prolongado, o que eleva a possibilidade de novos desmoronamentos durante meses ou até anos e pode dificultar a reconstrução de bairros inteiros.

Entenda por que a Venezuela sofre tantos terremotos

A Venezuela está localizada na região de contato entre as placas tectônicas do Caribe e da América do Sul, uma área marcada pela movimentação constante da crosta terrestre. Esse encontro de placas concentra diversas falhas geológicas ativas, responsáveis pela maior parte dos terremotos registrados no norte do país.

Os terremotos de 24 de junho ocorreram em um trecho associado ao sistema de falhas de San Sebastián, uma das principais estruturas tectônicas da região. A ruptura liberou uma grande quantidade de energia, desencadeando uma longa sequência de sismos e aumentando também o risco de deslizamentos em áreas montanhosas.

O aumento na quantidade de tremores após um grande terremoto é um comportamento esperado pelos sismólogos. Essas ocorrências são conhecidas como réplicas e fazem parte do processo de acomodação das tensões liberadas durante o abalo principal.

Não existe uma forma de prever quantas réplicas irão ocorrer nem por quanto tempo elas continuarão. Em alguns casos, a atividade diminui rapidamente; em outros, pode persistir por meses, embora normalmente se torne menos frequente e menos intensa com o passar do tempo.

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