O secretário-geral da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), Mark Rutte, insistirá na cúpula da aliança desta semana que os estados-membros estão cumprindo sua promessa de aumentar os gastos com defesa. No entanto, o progresso tem sido desigual e o esforço já está sobrecarregando alguns orçamentos nacionais.
Sob pressão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, os membros do pacto militar de 32 países concordaram, na cúpula do ano passado, em aumentar os gastos com defesa para 5% do PIB até 2035, pouco mais que o dobro do nível geral dos estados europeus e do Canadá em 2025.
Discussão sobre gastos da Otan com defesae a divisão entre membros europeus
Desde então, surgiram dois grupos: um liderado pela Alemanha e pelas nações, principalmente nórdicas e da Europa Oriental, que encontraram espaço fiscal para aumentar os gastos; o outro é composto por vários grandes atores que lutam para fazer o mesmo.
Segundo Guntram Wolff, pesquisador sênior do think tank econômico Bruegel, o Reino Unido não está conseguindo, por exemplo.
A França também não, e a Itália também não, referindo-se às três maiores economias da Europa depois da Alemanha.
Investimentos bilionários em defesa
A OTAN afirma que seus membros europeus, juntamente com o Canadá, gastaram US$ 90 bilhões a mais em defesa em termos reais no ano passado, em comparação com 2024, buscando elevar os gastos militares básicos para 3,5% do PIB até 2035, com mais 1,5% do PIB destinados a itens relacionados à segurança.
Antes da cúpula, Rutte enfatizou que os novos gastos do ano passado totalizam um valor nominal maior, de US$ 139 bilhões, e que existe um ‘forte compromisso’ de atingir a meta combinada de 5% dentro do prazo.
A Alemanha usará uma mudança nas regras que isenta itens de defesa de limites rígidos de empréstimo para dobrar seus gastos, elevando-os para mais de 200 bilhões de euros entre agora e 2030.
Desafios fiscais em grandes economias
Na semana passada, o Reino Unido anunciou planos para um investimento adicional de 15 bilhões de libras dos gastos com defesa, parcialmente financiados por cortes em outras áreas. Mas constatou-se que um terço ainda não tinha financiamento, criando um desafio orçamentário inicial para o provável novo primeiro-ministro, Andy Burnham.
A primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, deverá informar na cúpula que Roma, apesar de ter uma das maiores dívidas da Europa, elevará os gastos com defesa para 2,8% do PIB em 2026, aproximadamente 0,71 ponto percentual a mais do que no ano passado.
Os planos detalhados pela França em abril elevariam seus gastos com defesa para 2,5% do PIB até o final da década, ante os cerca de 2% atuais, mesmo enquanto o país tenta adequar seu déficit geral às regras da zona do euro.
Polônia lidera gastos na região
Polônia, Lituânia e Estônia, países onde a percepção da ameaça representada pela Rússia é mais acentuada – já estão bem encaminhadas para atingir as novas metas, com Varsóvia, notavelmente, tendo destinado 4,3% do PIB à defesa no ano passado.
Autoridades da OTAN questionaram a afirmação de três países – República Tcheca, Eslovênia e Albânia, de que haviam cumprido a antiga meta da aliança de 2% do PIB e pediram que revisassem e reapresentassem seus números de gastos.
Ceticismo da indústria de defesa
Mesmo que o público europeu esteja começando a aceitar que mais dinheiro deva ser destinado às forças armadas, alguns observadores argumentam que os fornecedores de armas precisarão ser convencidos de que os gastos governamentais com defesa permanecerão elevados antes de realizarem o investimento necessário para aumentar sua capacidade produtiva.
Segundo Ana Boata, chefe de pesquisa econômica da Allianz Trade, houve um antes de Trump e haverá um depois de Trump, portanto, essa meta de 5% pode mudar a qualquer momento, gerando ceticismo por parte das empresas de defesa europeias em relação a aumentar os investimentos.
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