
Valentina Nobre Lima, de 11 anos, morreu no domingo (5) no Hospital Santa Lúcia Norte, em Brasília, após passar mais de três semanas internada em estado grave por causa de uma picada de escorpião. A menina havia sido ferida no dia 11 de junho, no Riacho Fundo I, enquanto se preparava para ir à escola. Durante a internação, familiares relataram demora no atendimento inicial e dificuldades para conseguir uma vaga em Unidade de Terapia Intensiva (UTI).
Segundo informações divulgadas pela família, o escorpião estava escondido dentro do tênis da criança. Ao calçar o sapato, Valentina foi picada ao menos três vezes antes de conseguir retirar o pé. Pouco depois, começou a apresentar sintomas graves e precisou ser levada às pressas para atendimento médico.
De acordo com os familiares, a menina passou por diferentes unidades de saúde antes de conseguir um leito de UTI. Eles afirmam que houve demora no atendimento pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e na transferência para uma unidade especializada.
Valentina foi internada no Hospital Santa Lúcia Norte em 12 de junho, onde permaneceu intubada e em coma induzido, mas não resistiu às complicações provocadas pelo veneno.
O iG entrou em contato com a Secretaria de Saúde do Distrito Federal questionando sobre a dificuldade de atendimento especializado para esse caso de picada de escorpião, mas não obteve retorno até a publicação desta reportagem.
Bombeiros detalham atendimento
Em nota enviada ao iG, o Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal (CBMDF) lamentou a morte da menina e explicou como ocorreu o atendimento prestado no dia do acidente.
Segundo a corporação, Valentina chegou ao 6º Grupamento de Bombeiro Militar, no Núcleo Bandeirante, acompanhada por duas mulheres. Naquele momento, todas as viaturas operacionais da unidade estavam empenhadas em outras ocorrências de urgência e emergência, o que impossibilitou o envio imediato de um veículo de resgate.
Ainda conforme os bombeiros, os militares prestaram acolhimento inicial à família e acionaram o médico regulador do Samu para identificar a unidade hospitalar de referência para casos de acidentes com escorpiões. Pouco depois, o pai da criança chegou ao quartel em uma viatura da Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF).
Os familiares, segundo o CBMDF, foram informados de que poderiam aguardar a liberação de uma viatura dos bombeiros ou seguir imediatamente para o hospital na viatura da PMDF. A segunda opção foi escolhida pelo pai, com o objetivo de agilizar o atendimento.
A corporação afirmou que a disponibilidade de ambulâncias varia conforme a demanda operacional e ressaltou que, mesmo sem um veículo disponível naquele momento, buscou alternativas para garantir que a criança fosse encaminhada o mais rapidamente possível ao atendimento especializado.
Casos de escorpião cresceram no DF
Dados da Secretaria de Saúde do Distrito Federal mostram que foram registrados 1.974 acidentes com escorpiões no DF em 2026, até o momento, sendo 32 classificados como graves. No mesmo período do ano passado, haviam sido contabilizados 1.855 casos, um aumento de 6,4%.
As autoridades orientam que, em caso de picada por escorpião, a vítima lave o local com água e sabão, evite procedimentos caseiros, como torniquetes ou cortes, e procure atendimento médico imediatamente. Se possível, a recomendação é registrar uma foto do animal para auxiliar na identificação da espécie e no tratamento adequado.

