
Donald Trump e María Corina Machado
REUTERS/Evelyn Hockstein / Leonardo Fernandez Viloria
María Corina Machado levou uma nova rasteira de Donald Trump: a líder da oposição foi impedida pelo governo americano de voltar à Venezuela, após os terremotos que há duas semanas mataram pelo menos 3.500 pessoas e destruíram a nação caribenha.
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Alinhado à presidente interina, Delcy Rodríguez, por puro interesse, o governo americano achou contraproducente e oportunista a presença da opositora no país e abortou a decolagem do avião particular que a levaria para Curaçao, de onde cruzaria, por via marítima, o caminho de volta a seu país.
“Adicionar questões políticas sensíveis a essa situação neste momento é contraproducente para nossos esforços de ajuda após essa tragédia”, justificou um funcionário do Departamento de Estado.
A decisão expõe e mais uma vez enfraquece Machado, que em dezembro passado, com a ajuda dos EUA, fez o caminho inverso para fugir da Venezuela, onde estava clandestina, para chegar a Oslo. O Prêmio Nobel da Paz mal esquentou em suas mãos, e ela prontamente o ofereceu a Trump, obcecado pela comenda.
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Se achava que seria recompensada pelo gesto inusitado e, assim, reforçaria seus laços com ele, Maria Corina se enganou. O presidente americano incentiva a bajulação, mas não costuma respeitar os subservientes.
Quando, em janeiro, capturou Nicolás Maduro e o depôs do cargo, Trump deixou claro que não era o momento de Machado assumir o poder na Venezuela. “Ela não tem o apoio nem o respeito dentro do próprio país”, atestou, delegando o comando à vice-presidente, ainda que sob sua estrita tutela. Ou seja, um governo chavista submisso asseguraria a estabilidade do país e seria mais benéfico aos interesses dos EUA.
O terremoto atrapalhou os planos de Trump e deu à líder opositora outra oportunidade para interromper seu exílio e pisar novamente em solo venezuelano. Sem passaporte válido, ela culpou Caracas por impedir o seu retorno.
Mas o governo americano estava por trás da proibição, frustrando as tentativas de Machado retornar à Venezuela, classificadas pela Casa Branca como “oportunismo político grotesco”. Era um claro indicativo de que ela foi novamente escanteada pelo presidente Trump e pelo secretário de Estado, Marco Rubio, e que não terá a ajuda dos EUA. Com aliados desse porte, María Corina Machado não precisa de inimigos.
A líder da oposição venezuelana, Maria Corina Machado, participa de um comício com apoiadores venezuelanos durante sua visita à Espanha
REUTERS/Isabel Infantes
