Gestão Nunes diz que exonerou seis funcionários por suspeita de ligação com fraude em licitação de R$ 1 bilhão alvo de operação do MP


Operação mira fraudes em licitações na Prefeitura de SP
A Prefeitura de São Paulo afirmou que exonerou seis servidores por suspeita de envolvimento em irregularidades em licitações. Dois deles foram alvos, nesta terça-feira (7), de uma operação do Ministério Público de São Paulo que investiga suspeitas de fraude na compra de aparelhos de ar-condicionado, em um contrato avaliado em R$ 1 bilhão.
Segundo a gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB), as exonerações aconteceram em março deste ano e a própria administração levou as suspeitas de irregularidades ao promotores municipais, gerando a investigação do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) que culminou com a Operação Ar Frio.
“A Prefeitura de São Paulo informa que, em março deste ano, não só exonerou preventivamente seis servidores como a própria administração municipal levou a denúncia ao Ministério Público, diante da informação de irregularidades envolvendo todos eles. A Prefeitura reforça que não compactua com desvios de conduta ou qualquer tipo de irregularidade”, disse a administração municipal em nota.
“O compromisso da administração é com a ética, a transparência e o respeito ao dinheiro público. A Prefeitura informa ainda que continuará colaborando, como sempre tem feito, para que as denúncias sejam apuradas com rigor para evitar práticas que afrontem o interesse público”, declarou.
Em agenda pública durante a manhã, o prefeito Ricardo Nunes também afirmou que desde março suspendeu a licitação da compra do ar condicionado e convocou novo edital, a fim de manter a transparência dos certames municipais.
Operação Ar Frio
A Operação Ar Frio cumpriu nesta terça (7) buscas contra dois ex-servidores da Prefeitura de São Paulo investigados por fraudes em licitações.
A licitação principal investigada é sobre compra de ar condicionado no valor de R$ 1 bilhão. Ela chegou a ser suspensa e foi retomada após a exoneração dos servidores. Uma das frentes de investigação tem como foco saber se os servidores recebiam propina, já que há uma suspeita pela incompatibilidade patrimonial.
O MP recebeu uma denúncia sobre o assunto em fevereiro. A suspeita envolve irregularidades que teriam sido cometidas entre 2022 e 2025.
Um dos ex-servidores era da Secretaria Municipal de Infraestrutura e Obras e o outro era coordenador de licitações da Secretaria Municipal das Subprefeituras. Eles teriam atuado para direcionar processos licitatórios em favor de empresas e grupos previamente ajustados, em troca de vantagem indevida.
A prefeitura e as secretarias não foram alvos de buscas do Gaeco.
As buscas ocorrem em endereços ligados aos dois ex-servidores na capital e na região metropolitana. O objetivo da operação é coletar documentos e outras informações que possam ser úteis para o aprofundamento da investigação. Celulares dos alvos foram apreendidos.
Na casa de um dos servidores envolvidos no esquerma foram encontrados mais de R$ 151 mil em dinheiro e US$ 3 mil dólares. Com outro ex-servidor também foram encontrados R$ 8 mil, além de US$ 1 mil em cofres.
Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público de São Paulo, em operação de março de 2026
Divulgação/MP-SP
Segundo as informações reunidas até agora, os investigadores suspeitam que o patrimônio acumulado pelos investigados seja incompatível com a renda que eles declararam oficialmente. Também há indícios de que imóveis, veículos e outros bens tenham sido registrados em nome de terceiros para esconder a verdadeira propriedade e a origem do dinheiro usado nas compras.
A investigação apura se essas condutas podem configurar os crimes de corrupção, fraude em licitações e lavagem de dinheiro.
O que diz a prefeitura
“A Prefeitura de São Paulo informa que, em março deste ano, não só pediu preventivamente a imediata exoneração de seis servidores como a própria administração municipal levou a denúncia ao Ministério Público, diante da informação de irregularidades envolvendo todos eles. A Prefeitura reforça que não compactua com desvios de conduta ou qualquer tipo de irregularidade. O compromisso da administração é com a ética, a transparência e o respeito ao dinheiro público. A Prefeitura informa ainda que continuará colaborando, como sempre tem feito, para que as denúncias sejam apuradas com rigor para evitar práticas que afrontem o interesse público.”
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