
A defesa do ministro afastado do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Marco Buzzi, acusado de importunação sexual em dois casos, fez manobra para livrar do processo no Supremo Tribunal Federal (STF). Os advogados alegaram que o magistrado tem quadro severo de disfunção erétil e anexaram laudos urológicos para comprovar a situação clínica. A medida é para justificar que pela questão biológica, o relato das duas mulheres contra ele não procedem.
Buzzi é investigado por crimes contra a dignidade sexual e segue em segredo de justiça. O ministro da Segunda Turma do STF, Kassio Nunes Marques é relator do caso. A investigação foi aberta inicialmente após manifestação da Procuradoria-Geral da República (PGR) e a partir daí, foi instaurado o inquérito criminal.
O magistrado já cumpre medida na esfera judicial e está afastado das suas funções como ministro do STJ, desde fevereiro de 2026, mesmo período que as primeiras denúncias vieram a público.

Contestação da defesa do ministro acusado
O laudo apresentado detalhe uma série de questões clínicas de Marco Buzzi, dentre elas: ausência crônica de libido, hipogonadismo (baixa produção de testosterona) e um histórico de cirurgia na próstata (anterior às supostas práticas criminosass).
O relatório do médico urologista aponta também as consequências de doenças como diabetes e hipertensão, e o uso continuado de emédio que afetam a capacidade sexual. Segundo a conclusão do profissional, o quadro clínico “não respalda a hipótese de função sexual exacerbada”.
Sobre as denúncias
O primeiro caso de importunação sexual formalizado para as autoridade foi de uma jovem de 18 anos, filha de um casal de amigos de Marco Buzzi. Ela informou que o episódio ocorreu em janeiro de 2026, durante um banho de mar na praia de Balneário Camboriú (SC). A vítima declarou às autoridades que o ministro tentou segurá-la três vezes na água e que ela sentiu a genitália do investigado nessas tentativas.
Neste caso, a defesa contestou a denúncia da vítima por meio também de uma testemunha ocular que estava na ocasião e depôs a favor do magistrado. A testemunha contou que Buzzi e a jovem em questão estavam longe um do outro – cerca de um metro e meio dentro da água – e que não tiveram qualquer contato físico, salvo no momento em que o ministro do STJ ofereceu ajuda para a mulher sair da água.
Outro caso envolve uma funcionária terceirizada que prestava serviços no tribunal. Ela apresentou queixa-crime contra Buzzi que nega as acusações.
O caso segue em duas esferas: a penal, sob tutela do STF, e a administrativa, liderado pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e pelo STJ. A corte administrativa avançou nas tomadas processuais e ouviu, em 11 de junho de 2026, cerca de 20 testemunhas ligadas ao caso.
