Como esquema se aproveitou de vulnerabilidade em sistema para causar prejuízo de R$ 9 milhões a instituição financeira em SP


Esquema causou prejuízo de R$ 9 milhões a instituição financeira
Alvo da Polícia Civil de Limeira (SP), um esquema de estelionato e lavagem de dinheiro se aproveitou de uma vulnerabilidade em um sistema para causar um prejuízo de R$ 9 milhões a uma instituição financeira.
Nesta terça-feira (7), durante a segunda fase da Operação Chargeback, duas pessoas, de 25 e 38 anos, foram presas e 32 carros, sendo alguns de luxo, foram apreendidos em estacionamentos da cidade.
A investigação começou há três meses, após a identificação da fraude. O delegado Leonardo Burger afirmou que os investigados usavam a modalidade conhecida como “cofrinho”, que permite organizar e poupar dinheiro para objetivos específicos, para cometer os crimes.
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O esquema envolvia a obtenção de crédito, seguida do cancelamento da operação e do resgate dos valores.
“Esses indivíduos se valeram de uma vulnerabilidade do sistema. Essa instituição se utilizava de um sistema chamado ‘cofrinho’, em que as pessoas depositavam dinheiro, R$ 100 mil, por exemplo, e esses R$ 100 mil eram liberados como limite no cartão de crédito. Esses indivíduos gastavam o limite do cartão, passando em maquininhas, daí cancelavam o cartão e recuperavam o dinheiro do cofrinho”, afirmou Burger.
Os presos nesta terça-feira foram identificados como Alon Keikon Souza Silva e Wagner de Aguiar. Eles são apontados como possíveis responsáveis pela captação de participantes e pela gestão do fluxo financeiro proveniente das fraudes.
De acordo com o delegado, os carros de luxo encontrados nos estacionamentos da dupla, possivelmente, foram adquiridos com recursos obtidos através dos crimes.
“São pessoas que têm histórico criminal, passagens por roubo, furto de combustível dos dutos da Transpetro. São pessoas que têm um histórico de crime e que rapidamente angariaram um patrimônio que dificilmente um empresário labutando todo dia consegue angariar. A partir do momento em que a gente identifica pelo menos passagem de R$ 1 milhão fraudulento por essas contas, a gente tem certeza de que esse patrimônio é adquirido e é proveito do crime”, completou.
Carro apreendido durante operação contra esquema que causou prejuízo de R$ 9 milhões a instituição financeira no interior de SP
Júnia Vasconcelos/EPTV
Esquema com 40 suspeitos
A polícia descobriu o envolvimento de pelo menos 40 pessoas no esquema. Nos últimos dez dias, outros quatro investigados foram presos durante a primeira fase. Nesta terça-feira, mais duas pessoas foram presas.
São pessoas que enriqueceram rápido e também chamaram a atenção. Outras cerca de 30 pessoas eram usadas como laranjas e emprestavam a conta bancária para movimentações. Elas foram alvo de mandados de busca e apreensão.
Além dos veículos, foram apreendidos celulares, computadores, relógios de luxo, documentos e uma arma de fogo. O valor estimado dos bens supera os R$ 5 milhões.
Polícia apreendeu 30 carros de luxo em operação contra estelionato no interior de SP
Júnia Vasconcelos/EPTV
O que dizem as defesas?
Os advogados Claudinei Donizete Bertolo e Alex dos Santos Teixeira, que integram a defesa de Alon, disseram que tomaram conhecimento da operação por meio das informações divulgadas pela imprensa e por comunicados das autoridades e que, até o momento, não tiveram acesso aos autos do procedimento investigatório.
A defesa reiterou o respeito ao trabalho das instituições e ressaltou que acompanhará o caso de forma técnica, “zelando pela observância do devido processo legal, do contraditório, da ampla defesa e das garantias constitucionais asseguradas a todos os cidadãos”.
“Após o efetivo acesso aos autos e a análise integral do procedimento, a defesa adotará as medidas jurídicas cabíveis e, se necessário, prestará novos esclarecimentos. Por fim, reforça-se que qualquer conclusão antecipada deve ser evitada, preservando-se a presunção de inocência até eventual decisão judicial definitiva”, completou.
Já a defesa de Wagner informou que o procedimento está sob sigilo, de modo que ainda não foi franqueado acesso a cautelar, o que, segundo ela, impossibilita avaliar os pontos da investigação.
Carro apreendido durante operação contra estelionato em Limeira
Júnia Vasconcelos/EPTV
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