
Uma praia carioca está sendo ‘engolida’ pelo mar. Ao menos 500 edifícios da praia de Atafona, no município de São João da Barra, no norte do estado do Rio de Janeiro, já estão cobertos pelas águas.
No local, sobrou a ruína das casas, clubes, prédios públicos e ruas. Elas seguem sendo vistas e são só a ponta do iceberg de um problema ainda maior, de acordo com a reportagem da agência de notícias alemã Deutsche Welle (DW).
O processo de degradação da costeira não é recente e vem sendo registrado há pelo menos sete décadas, em que o mar avança cerca de cinco metros por ano sobre a costa, destruindo progressivamente a comunidade.
A explicação para o fenômeno vai além de um processo natural e do aquecimento global. Envolve também a localização do distrito e a ação humana.
Localização em meio à delta de rio
A praia de Atafona fica localizada em meio ao delta do rio Paraíba do Sul, que cruza os estados de São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro, antes de chegar na região.
Segundo a pesquisadora da Universidade Federal Fluminense, Thaís Baptista, as intervenções humanas neste rio aceleram o processo de avanço do mar — conhecido como erosão costeira —, que, em parte, é natural e acontecia antes da ocupação do local.
A bacia do Paraíba do Sul possui 943 barragens. Essas barreiras artificiais diminuem a vazão do rio e a quantidade de sedimentos que ele carrega.
Com isso, o desequilíbrio entre a areia retirada pelo mar e a que não chega pelo rio é a principal causa do estrago.
O mar continua retirando a areia da praia de forma agressiva, mas as ações humanas no rio bloqueiam os sedimentos essenciais que deveriam chegar à praia.
A degradação ainda aumenta com a elevação do nível do mar devido ao aquecimento global. Além disso, o aumento das temperaturas do planeta intensifica a evaporação e gera ventos e ondas muito mais fortes.
Relatório ONU
Um relatório da Organização das Nações Unidas (ONU), que foi divulgado no ano passado, colocou Atafona como uma das 31 localidades mais ameaçadas do mundo pela elevação dos oceanos.
Entre 1990 e 2020, o mar subiu 13 centímetros na região. Ainda de acordo com o relatório, ele pode subir mais 21 centímetros até 2050.
Como solução do problema, a remoção de toda a população e a realocação das famílias. A praia de Atafona é um distrito com cerca de 6 mil habitantes.
Porém, a solução é alvo de resistência, principalmente do poder público e de pescadores.
