Lista sexualizada tinha nomes de 65 adolescentes de colégio

Colégio Cruzeiro em Jacarepaguá, no Rio de JaneiroReprodução/Google

Sessenta e cinco  é o número de alunas incluídas na lista de categorias sexuais atribuída a estudantes do Colégio Cruzeiro, em Jacarepaguá, na Zona Oeste do Rio de Janeiro. A Delegacia da Criança e do Adolescente Vítima (DCAV) já recebeu ao menos seis registros de ocorrência e começa a ouvir as vítimas nesta quinta-feira (09).

As adolescentes citadas têm entre 14 e 15 anos. A Polícia Civil tenta identificar quantos alunos participaram da criação do conteúdo e se outras pessoas ajudaram a divulgar a lista.

Os investigados são menores de idade e poderão responder por atos infracionais análogos aos crimes de injúria, difamação e submissão de adolescente a vexame ou constrangimento. A apuração ainda pode incluir outras condutas caso sejam encontradas provas de ameaças ou violência psicológica.

Diretor presta depoimento e escola faz apuração interna

O diretor da unidade de Jacarepaguá foi ouvido pela DCAV nesta quarta-feira (08). Em depoimento, ele afirmou que a escola tenta identificar internamente os responsáveis pela criação da lista. O diretor deixou a delegacia sem falar com a imprensa.

A instituição já havia informado ao iG que registrou a ocorrência assim que tomou conhecimento do material, pediu a retirada do conteúdo da plataforma e comunicou as famílias. A escola também iniciou o atendimento às alunas citadas e aos familiares. O conteúdo foi retirado do ar.

A Polícia Civil ainda não sabe quantos estudantes participaram da criação ou do compartilhamento. A investigação deve analisar a circulação da lista e a atuação individual de cada envolvido.

Vítimas serão ouvidas em depoimentos especiais

As adolescentes serão atendidas por uma equipe especializada da DCAV. O procedimento busca reunir as informações necessárias para a investigação sem obrigar as vítimas a repetir diversas vezes os relatos.

Durante o depoimento especial, policiais capacitados permanecem na sala com a adolescente. Delegados podem acompanhar a conversa de outro ambiente.

A delegada Maria Luiza Machado afirmou que a unidade adota cuidados específicos para evitar uma nova exposição das vítimas.

“A gente, de fato, tem uma cautela específica, tem um setor específico para depoimento especial para que a gente consiga ouvir essas vítimas de forma a não revitimizá-las”, explicou à Globonews.

Os depoimentos devem ajudar a esclarecer quem criou a lista, como os nomes foram incluídos e de que forma o material chegou a outros estudantes.

A DCAV também tenta reunir os registros já feitos para conduzir a apuração de forma conjunta.

“Nós recebemos esse caso há uns dois dias e estamos empreendendo todos os esforços para reunir todos os boletins de ocorrência aqui na delegacia para investigar de forma integrada”, afirmou a delegada.

Para Maria Luiza Machado, o teor das classificações aumenta a gravidade da exposição.

“É um caso que causa repulsa, principalmente aos pais, que veem o nome de suas filhas nessa lista extremamente pejorativa”, disse.

Polícia vê aumento de casos de exposição

Segundo a delegada, a Polícia Civil tem registrado crescimento no compartilhamento de conteúdos que expõem crianças e adolescentes.

“A gente vê realmente que ultimamente o volume desse compartilhamento tem crescido. E as vítimas se tornam cada vez mais vulneráveis, não só pela idade, mas também pelo gênero”, afirmou.

A lista investigada foi criada em uma plataforma de tier-list, formato usado para separar itens ou pessoas por níveis.

No material envolvendo as alunas, as adolescentes foram distribuídas em categorias de teor sexual e depreciativo. A polícia apura a autoria e a participação de estudantes na circulação do conteúdo.

Nota do Colégio Cruzeiro na íntegra

“O bem-estar e a segurança de nossos alunos são prioridades absolutas no Colégio Cruzeiro e repudiamos qualquer atitude de exposição que os afetem. Assim que tomamos conhecimento dos fatos, acionamos as autoridades por meio de boletim de ocorrência, exigimos a remoção do conteúdo junto à plataforma — o que já foi feito —, alertamos as famílias e iniciamos o apoio integral às alunas e suas famílias. Entendemos que o papel da escola vai além do ensino acadêmico, incluindo a formação integral do ser humano. A conduta ética e a responsabilidade digital são temas recorrentes da sociedade contemporânea. Por isso, oferecemos constantemente a nossos três mil alunos, campanhas de conscientização com palestras de juízes, psicólogos, especialistas em tecnologia, delegados, entre outros. Nossa postura reflete a tradição e os valores de uma instituição que, ao longo de seus 164 anos, formou gerações pautadas pelo respeito e pelo desenvolvimento humano integral. Com base nos princípios e valores educacionais, a escola permanece atenta às medidas pedagógicas que lhe cabem para o zelo e preservação do ambiente formativo. Quanto à autoria e punição, no âmbito penal, salientamos que as autoridades competentes estão cumprindo o seu papel investigativo.”

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