Movimento questiona liberação de avenida para Marcha para Jesus após Prefeitura de Jundiaí vetar a Parada LGBT+ no mesmo local


Parada LGBTQIAPN+ de Jundiaí questiona veto da prefeitura ao uso da Avenida Nove de Julho
O Movimento Aliados, entidade que organiza a 21ª Parada do Orgulho LGBTQIAPN+ de Jundiaí (SP), está questionando a negativa da prefeitura ao pedido de uso da Avenida Nove de Julho para o evento, que acontecerá no dia 27 de setembro.
A Prefeitura de Jundiaí diz que analisa cada solicitação individualmente e que está aberta ao diálogo com os organizadores (veja mais detalhes abaixo).
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Parada LGBT em Jundiaí (SP), em 2017
Prefeitura de Jundiaí/Divulgação
A entidade alega que a mesma via já recebeu a Marcha para Jesus e que, inclusive, o evento religioso deve ocorrer no local este ano, e cobra da administração municipal “igualdade de tratamento” entre as manifestações.
A situação gerou polêmica nas redes sociais depois que o prefeito da cidade, Gustavo Martinelli (União Brasil), fez uma publicação dando apoio ao evento religioso deste ano, marcado para o dia 14 de novembro. O problema é que a concentração começará às 15h justamente na Avenida Nove de Julho, embaixo de um viaduto, exatamente no local que os organizadores haviam solicitado anteriormente para a parada.
Publicação gerou críticas no instagram do prefeito
Reprodução/Gustavo Martinelli/Instagram
Segundo despacho da Secretaria Municipal de Mobilidade e Trânsito (SMMT), assinado em 18 de junho, o pedido de interdição da Avenida Nove de Julho para a parada foi indeferido com base em um levantamento técnico de impacto viário. O documento cita, entre outros pontos, que:
A via é rota de deslocamento de viaturas policiais, ambulâncias e do Corpo de Bombeiros, cuja sede fica próxima ao trecho pleiteado;
A avenida registra média de 830 veículos por hora aos domingos, segundo contagem por câmeras de radar; e
O trecho também compõe itinerário do transporte público municipal e intermunicipal.
Como alternativa, a prefeitura sugeriu no despacho a Avenida União dos Ferroviários, apontada como via com “histórico consolidado” para a realização de eventos de grande porte.
Cobrança por igualdade
Em nota, o Movimento Aliados afirma que participou de reuniões com a prefeitura e apresentou um plano técnico para garantir segurança e acessibilidade durante a parada. A entidade diz ter recebido a negativa “com muita preocupação” e reforça que a disputa não é contra a Marcha para Jesus.
“Se um evento de grande porte pode acontecer na Avenida Nove de Julho, entendemos que a Parada também deve ter esse direito, desde que cumpra os mesmos critérios estabelecidos pelo poder público”, diz trecho da nota assinada por Tiana Cauton, presidente do Movimento Aliados.
Segundo a nota, o mandato da deputada federal Erika Hilton (PSOL) passou a acompanhar o caso após ser procurado pela entidade, com apoio também da ativista Sofia Favero.
O que diz a Prefeitura
A Prefeitura de Jundiaí (SP) informou nesta quarta-feira (8) que todos os pedidos de interdição de vias para eventos são analisados “individualmente”, considerando critérios técnicos de mobilidade urbana, segurança pública, transporte coletivo e garantia de serviços essenciais.
“Como alternativa, é sugerida a realização dos eventos na Avenida União dos Ferroviários, que reúne melhores condições operacionais e gera menor impacto ao sistema viário”, diz a nota da administração municipal, que afirma permanecer “aberta ao diálogo com os organizadores para buscar soluções que permitam a realização dos eventos de forma segura”.
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